
São João da Madeira testa transporte de medicamentos por drone
A empresa Connect Robotics, em São João da Madeira, começa hoje a testar o transporte de medicamentos por drones elétricos entre farmácias da cidade e trabalhadores do centro empresarial e tecnológico Sanjotec.
Segundo adiantou à Lusa o fundador e diretor-executivo da referida firma do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, este projeto-piloto vai começar por envolver apenas a Farmácia Ferraz, mas, antes de terminados os 30 dias da experiência, alargar-se-á também à Farmácia da Cidade.
A operação poderá ainda abranger outro tipo de estabelecimentos comerciais, se esses manifestarem interesse em aderir ao projeto e disponibilizarem para o efeito “produtos úteis à comunidade da Sanjotec”, constituída por “centenas de trabalhadores” em vários edifícios.
“Nesta fase, os nossos drones vão fazer entregas num raio de dois quilómetros e transportar produtos com peso até 500 gramas”, informou Eduardo Mendes. “Mas temos drones que já fazem distâncias maiores para outros clientes e estamos a preparar equipamento que poderá transportar até sete quilos”, acrescentou.
Fundada em 2015 e instalada no Sanjotec desde 2024, a Connect Robotics diz que o projeto-piloto a desenvolver em São João da Madeira se vai focar em medicamentos sem receita, artigos de cosmética e bem-estar, e pequenos artigos de venda habitual em farmácias, até porque o grande objetivo da experiência é analisar a recetividade do consumidor final.
“O transporte em si já está bem testado porque só com a Fundação Champalimaud, por exemplo, já fizemos cerca de 6.000 entregas em dois anos”, disse Eduardo Mendes. “A questão é que esse transporte foi sempre a nível interno, entre os diferentes edifícios da instituição, e agora queremos testar como será na comunidade em geral”, explicou.
A finalidade é analisar se o cidadão adere a este tipo de serviço, identificar que tipo de preocupações o deixa reticente no recurso ao drone, verificar que encomendas está disposto a receber por essa vida, se acompanha a chegada do drone na janela temporal indicada, etc.
O transporte em si será feito com tecnologia de navegação autónoma que previne colisões e garante “pouso de alta precisão”, sendo que, durante o projeto-piloto, não haverá cobrança de qualquer taxa de entrega ao consumidor final.
Eduardo Mendes espera assim “transformar a forma como são realizadas entregas de proximidade e garantir um serviço mais rápido, eficiente e sustentável”, no que reconheceu diversas vantagens para o consumidor final, entre as quais “maior comodidade, ganhos de produtividade, redução de deslocações e uma menor pegada ambiental”.
Desenvolvendo sistemas autónomos de entrega por drone, em 2017 a Connect Robotis foi a primeira empresa a receber o aval da Autoridade de Aviação Civil de Portugal para voos BVLOS (‘Beyond Visual Line of Sight’, isto é, além da linha de visão) e mais tarde tornou-se também a primeira a obter autorização para voos até 50 quilómetros além desse limite visual.
“Neste momento, já temos autorização genérica para todo o território nacional”, realçou.
Além de criar sistemas para transporte por drone, a empresa também produz os seus próprios veículos aéreos não-tripulados e vem reforçando o seu trabalho no domínio da monitorização, estando apta a inspecionar recursos dispersos por vastas áreas geográficas, como linhas de alta tensão, oleodutos, autoestradas e viadutos.












