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«Gosto de me colocar nesse lugar desconfortável de ser a estrangeira»

Depois de “Casa branca” (2019) e “Azul” (2023), Maria Luiza Jobim acaba de lançar “Rosa no céu”, álbum que vem apresentar hoje a Estarreja. Filha do célebre músico brasileiro António Carlos Jobim (1927-1994), a artista de 39 anos revela o seu lado «mais solar».

Diário de Aveiro: “Rosa no céu” é o seu novo álbum. Como o descreve?

Maria Luiza Jobim: É o meu terceiro disco de carreira, um disco produzido com a parceria, a produção e os arranjos de Marcelo Camelo. Dos meus três discos, eu acho que é o meu disco mais solar e traz consigo uma leveza do verão europeu. Eu acho que tem muito de eu ter vindo para cá, esse momento de transição entre esses Atlânticos norte e sul, e eu acho que o disco mistura muito os dois universos. Eu acho que enquanto tem uma síncope tão brasileira, uma coisa que a gente carrega sempre – todos os que nascem no Brasil já nascem com um ADN embutido do samba e dessa síncope -, mas, ao mesmo tempo, tem um olhar mais sem fronteiras, um olhar de um estrangeiro. Eu sou uma estrangeira aqui, então tem essa vivência de quem olha o Brasil de fora. Por exemplo, eu canto em três línguas: em inglês, em português e tem uma música do Serge Gainsbourg também que eu canto em francês. Então, é um disco que carrega esse norte, esse viés forte.

O disco tem quatro músicas em português, três em inglês, uma em francês. O que é que levou a optar por essa linguagem um bocado babélica, tantas línguas num único disco?

Foi uma escolha muito natural, diz respeito muito ao momento que eu estou a viver. É uma característica muito minha, eu cresci uma boa parte do tempo em Nova Iorque, então eu sempre compus em inglês, fui alfabetizada em inglês, é uma escolha completamente natural, é uma língua afetiva para mim. O português é óbvio, a minha língua mãe, materna, é a língua do país onde eu nasci, é a língua que melhor falo. E o francês… tenho muito prazer de cantar.

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Junho 20, 2026 . 08:45

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