
Editorial: O Diário de Aveiro faz hoje 41 anos
O Diário de Aveiro assinala, hoje, 41 anos de existência num mundo em permanente transformação e repleto de desafios constantes.
Importa assim hoje recordar, com saudade, Adriano Mário da Cunha Lucas (1925-2011), meu Pai, que fundou o Diário de Aveiro em 1985. Foi um lutador pela Liberdade de Imprensa. Graças à sua iniciativa e persistência, Aveiro passou a ter, pela primeira vez, um jornal diário próprio.
Fundou ainda o Diário de Viseu e o Diário de Leiria e a FIG, a central gráfica que os produz e imprime, bem como mais de uma centena de títulos da imprensa regional portuguesa, e liderou o Diário de Coimbra durante seis décadas.
Este é um percurso ímpar no panorama da Comunicação Social em Portugal, marcado pela defesa intransigente da Liberdade de Imprensa e pelo desenvolvimento da Imprensa Local e Regional, enquanto pilares essenciais de um país democrático.
Tal só é possível com o indispensável equilíbrio financeiro que permita, como refere o nosso Estatuto Editorial, uma «total independência da Imprensa e dos órgãos de comunicação social face aos poderes políticos
e aos poderes económicos monopolistas», bem como relativamente a quem investe na Imprensa com
outros objetivos, mesmo acumulando prejuízos.
A ação do Diário de Aveiro pauta-se pela informação livre e verdadeira, pela valorização de Aveiro, da Região das Beiras e das suas gentes, da iniciativa privada, da economia de mercado, da descentralização regional e da plena integração europeia.
São 41 anos de grande proximidade com os nossos leitores e anunciantes, num mundo em profunda mutação, o que justifica a forte aposta que estamos a fazer - e que continuaremos a fazer - em toda a área digital: do “site” às diferentes redes sociais, com o apoio das novas ferramentas de Inteligência Artificial.
Esta aposta permite-nos atualizar a informação, com verdade e rigor, minuto a minuto, estando ainda mais próximos de quem nos lê.
Os desafios têm sido muitos e a todos eles temos procurado dar resposta, num país que continua a aguardar pelas reformas que o tornem mais competitivo.
O peso excessivo do Estado, a elevada carga fiscal, o centralismo, a burocracia, a morosidade da justiça e a rigidez do mercado de trabalho são, entre outros, problemas graves há muito identificados, mas que continuam sem resposta.
E, apesar de, nas últimas duas eleições legislativas, os portugueses terem afastado do poder políticas socialistas avessas a reformas - que impediram Portugal de se desenvolver ao mesmo ritmo de outros países europeus -, o atual Governo continua sem concretizar as reformas liberalizadoras imprescindíveis ao crescimento económico, capazes de permitir
a melhoria dos rendimentos e da qualidade de vida dos portugueses, para que os nossos jovens mais qualificados não tenham de emigrar em busca de oportunidades compatíveis com
a sua formação.
No Diário de Aveiro, manteremos o rumo de rigor informativo, mas também de exigência e escrutínio de quem é eleito, a nível nacional ou local, para governar o país.
Uma missão inspirada no legado de liberdade e responsabilidade que está na nossa génese e que foi ainda recentemente destacado por Marcelo Rebelo de Sousa, quando condecorou, a título póstumo, Adriano Lucas, meu Pai, com a Ordem da Liberdade, pelo seu contributo pessoal, mas também, inevitavelmente, pelo contributo do Diário de Aveiro e dos diários associados para a Liberdade. O nosso compromisso, hoje reafirmado, é o de honrar este caminho que temos feito de mãos dadas com os nossos leitores, assinantes e anunciantes, que são a nossa razão de ser e a quem agradeço a preferência que têm manifestado pelo Diário de Aveiro.
Adriano Callé Lucas












