
Festival Rádio Faneca criou uma forte ligação à comunidade ilhavense
«Não há bacalhau nas nossas águas», fez notar a menina, contudo embrenhada na história, contada num beco do Centro Histórico de Ílhavo, que tinha por fio condutor a busca pela «Sorte de Ílhavo», na pesca do “fiel amigo” nas águas da ria ou em outras paragens.
Rubrica na 13.ª edição do Festival Rádio Faneca, que decorre até amanhã, no centro da cidade, tendo a Sorte por temática, as “Histórias nos Becos” convidam ao envolvimento da comunidade. E esta «forte ligação» marcou, na manhã de ontem, a abertura do evento.
Prevendo «uma edição especial»,o presidente da câmara, Rui Dias, sublinhou a importância da «cumplicidade» estabelecida, inclusive com os comerciantes. Deu conta de que foi endereçado convite para que a população local participe em «ações que atravessam» o coração da cidade, integradas numa «programação fantástica», que vai da cultura erudita à popular».
Hugo Pequeno, diretor de programação do projeto 23 Milhas, considerou «muito comovente» a forma como os ilhavenses abrem as portas de suas casas, as suas varandas para «pequenos concertos» e – talvez mais importante – as suas memórias e sentimentos.
Em conversa na rádio do festival (103.9 FM), foi destacado o projeto “Casa Aberta”, que regressa com a orientação da dramaturga, atriz e programadora Teresa Coutinho, a qual fez um trabalho de pesquisa e criação sobre superstições, amuletos e histórias em dez casas, lojas e vizinhos, que se juntaram no Centro Histórico e que, hoje, às 18.30 horas, com ponto de encontro na Casa da Cultura, acolhem desconhecidos para jantar e para lhes oferecer uma performance.
A dramaturga testemunhou o quão enriquecedor foi «entrar» na vidas dessas pessoas, na sua maioria mulheres, em momentos que deram origem a longas conversas, nas quais aconteceu a partilha de memórias e se trilhou um caminho entre a fé, a superstição e a sorte, com regresso a um modo de vida de outras eras.
Teresa Coutinho sublinhou que decidiu «fixar no tempo» esses testemunhos de trajetos e vivências, dando conta que os rituais, as mezinhas e as emoções que colheu foram passados a textos, para que perdurem.
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