
Recusar rótulos e despir preconceitos, vestindo criações em papel de jornal
«Não é sobre vestir o corpo; é sobre despir preconceitos». Pelas 21 horas de amanhã, a Praça da República, em Aveiro, será palco para um desfile/performance protagonizado pelos 18 alunos da turma do 10.º ano do Curso Profissional de Técnico de Apoio Psicossocial da Escola Secundária Homem Cristo.
Davide Caiadas, professor desses jovens de 15 e 16 anos, lecionando o módulo de Área Sociocultural, que inclui a Ética e a Deontologia, e o módulo de Área de Expressão, que trabalha a Comunicação Visual, explicou que cada aluno desenvolveu uma peça de vestuário artístico construída maioritariamente com papel de jornal - de edições do Diário de Aveiro - e materiais reutilizados. Essas peças foram concebidas para serem vestidas e apresentadas naquele evento.
O desfile, subordinado ao tema “Temos direitos no papel. No corpo, ainda não», é o resultado de Projeto Artístico Interdisciplinar “O Papel do Estereótipo”, que durou quatro meses, tempo em que, num primeiro momento, as aulas serviram para que os jovens refletissem sobre os rótulos que (nos) são impostos pela sociedade, e que pomos uns aos outros.
«Mais do que criar roupa, os alunos foram desafiados a transformar o vestuário num meio de expressão artística, crítica social e reflexão ética, explorando simultaneamente questões relacionadas com identidade, liberdade, pressão social, consumo e sustentabilidade», sublinhou o docente.
Os objetivos passavam por questionar os padrões impostos pela moda e pela sociedade, evidenciar a pressão dos rótulos sociais, promover reflexão sobre a “fast fashion” e o consumo excessivo e de utilizar o corpo como suporte de expressão artística e crítica social.
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