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Vítor Coutinho reivindica mais humanismo em novo livro

O médico e professor universitário é o autor da obra “O Renascimento do Médico Humanista”, que vai ser apresentada hoje, pelas 15 horas, no Auditório Helena Nazaré da ESSUA

Mais do que um testemunho médico, a estreia de Vítor Coutinho no mundo literário afir­ma-se sobretudo como um «manifesto humanista». Através de uma abordagem que alia diferentes áreas, desde a ciência e medicina à cultura, literatura e filosofia, o livro “O Renascimento do Médico Humanista” leva o leitor numa «viagem» pelas múltiplas dimensões e complexidade da experiência humana.
Ao Diário de Aveiro, o médico e professor universitário, nomeadamente no Departamento de Ciências Médicas da Universidade de Aveiro, explica que «o objetivo da obra é iluminar a condição humana», promovendo uma reflexão sobre as «transformações profundas» que testemunhamos ao nível da relação que os seres humanos estabelecem com a saúde, a ciência e a própria existência.
«Estamos a viver uma fase em que a Inteligência Artificial é uma ferramenta que domina os nossos dias e [precisamos] de uma outra forma de olhar para os doentes, para a medicina e para a sociedade», sustenta Vítor Coutinho, que reivindica, como resposta a este contexto, mais «humanismo» em todas as relações societais.
No caso da medicina, o médico, natural de Barcelos, considera que os profissionais de saúde têm de regressar à «cultura humanista» do Renascimento. «Os médicos humanistas tinham esta cultura de olhar para o paciente de forma biopsicossocial e não apenas co­mo um ser anatomofisiológico ou patológico», explica, acrescentando que nesta época o Homem ocupava o «centro do mundo», colocando-se «a ênfase na dignidade, racionalidade e autonomia».
Do ponto de vista médico, Vítor Coutinho considera que é necessário voltar a refletir sobre estes princípios. «Temos de saber olhar para o outro, com mais compaixão e empatia, no seu todo, sobretudo para os mais frágeis», sublinha. «Tudo parte do pressuposto de que o médico humanista não é alguém que apenas sabe sobre medicina. Na Antiguidade, os médicos eram indivíduos cultos, que viajavam, liam e aprendiam línguas, que se dedicavam aos doentes. Temos de recuperar a ideia de interligar a medicina a outras áreas».

 

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Junho 2, 2026 . 09:30

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