
Velódromo «deu início a uma época dourada do ciclismo português»
Houve quem vaticinasse que o Centro de Alto Rendimento de Anadia seria «um elefante branco». Mas, segundo o vereador Jorge Almeida, o equipamento revelou-se «um projeto ganhador».
Diário de Aveiro: Quando nasceu a ideia de criar o Velódromo Nacional e o Centro de Alto Rendimento (CAR) em Anadia?
Jorge Almeida: A ideia nasceu quando o município adquiriu a antiga pista de ciclismo do Sangalhos Desporto Clube. Inicialmente, o objetivo era requalificar e preservar essa pista
histórica com o intuito de incrementar o ciclismo no concelho. Na altura, o que nos foi dito é que uma pista de ciclismo ao ar livre não tinha qualquer utilidade e aconselharam-nos a visitar um velódromo na Suíça, em Hagel. Depois dessa visita, rapidamente percebemos a importância de investir num velódromo, que seria único no país. Foi nesse momento que nasceu a ideia de o município avançar com este projeto, seguindo-se todo um conjunto de procedimentos que culminaram com a inauguração desta infraestrutura em 2009. Quero sublinhar que a história que o Sangalhos DC tinha no ciclismo foi essencial, determinante, juntamente com a nossa vontade de avançar, para que a decisão do Governo recaísse em Sangalhos. Como o Governo tinha em mãos o projeto nos Centros de Alto Rendimento, propôs ainda ao município que o Centro acolhesse outras federações, além da de ciclismo, para que pudesse ser mais abrangente.
Na altura, acreditavam que este projeto poderia tornar-se uma referência europeia no ciclismo?
Quando se falou na ideia de o município avançar com a construção do CAR fomos altamente criticados por toda a gente, inclusive municípios, que queriam receber esta infraestrutura, dizendo que seria um investimento em vão e que iria estar vazio, abandonado, enfim, um elefante branco. Sempre acreditámos que era um projeto ganhador e que tinha pernas para andar. A realidade veio demonstrar que estávamos no caminho certo e, hoje, o CAR de Anadia é uma referência internacional. Recebe cerca de 10 mil atletas por ano, oriundos de 60 países. Nos últimos Jogos Olímpicos conquistou, para Portugal, três medalhas olímpicas, num total de cerca de 20 medalhas, e nos Paralímpicos foram conquistadas cerca de 15.
O que levou o município a assumir um investimento tão significativo num equipamento desta dimensão?
A construção do CAR estava integrada numa estratégia municipal mais abrangente de investimentos em infraestruturas desportivas, por três razões diferentes. Em primeiro lugar, porque o investimento que estávamos a realizar na altura na educação obrigava a que fosse realizado este tipo de investimento em infraestruturas desportivas, como complemento para os jovens. No nosso entender, não há educação sem desporto. Em segundo, era necessário criar infraestruturas que os munícipes pudessem usufruir, com condições de excelência, assim como uma prática de excelência. Finalmente, o turismo desportivo, uma vertente que estávamos a começar a desenvolver. O município precisava de arranjar um produto que aumentasse a oferta enquanto destino turístico e que diminuísse a sazonalidade, dado que na altura vivia-se muito do turismo ligado à saúde e bem-estar (termalismo). Considerámos que era importante apostar nesta vertente, que podia ser muito interessante, como veio a revelar-se e, como tal, precisávamos de investir em infraestruturas desportivas de excelência.
Que importância tem hoje o CAR de Anadia para o desenvolvimento do ciclismo português?
Na ótica da autarquia, estando sediados no CAR os centros de formação, treino e logística da Federação Portuguesa de Ciclismo, é justo afirmar que Anadia é o quartel general da modalidade em Portugal. A abertura desta estrutura deu início a uma época dourada do ciclismo português, nas suas várias vertentes.
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