
Abate no Parque de Merendas no Buçaquinho gera onda de críticas
A polémica em torno do abate de árvores no Parque de Merendas do Buçaquinho, em Cortegaça, no concelho de Ovar, continua a gerar forte contestação pública. A Associação +Pinhal, o PS de Ovar e a líder do Grupo Municipal AGIR!, Daniela Patarena, vieram a público exigir esclarecimentos à Junta de Freguesia de Cortegaça e às entidades responsáveis pela intervenção, denunciando aquilo que consideram ser um «atentado ambiental».
Esclarecimentos exigidos para a comunidade
Em comunicado enviado ao presidente da Câmara Municipal de Ovar, à Junta de Freguesia de Cortegaça e ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Associação +Pinhal manifesta «profunda preocupação e indignação» perante o abate realizado no antigo parque do Buçaquinho, um espaço que descreve como «um importante local de convívio, lazer e contacto com a natureza para a população local e visitantes».
A associação questiona, ainda, os critérios utilizados para o corte das árvores, pede acesso aos pareceres técnicos e quer saber quais os valores financeiros obtidos com a venda da madeira e qual o reinvestimento previsto para a área afetada. «Num contexto em que é amplamente reconhecida a importância da preservação dos espaços verdes, da biodiversidade e da mitigação dos efeitos das alterações climáticas, a eliminação de uma área arborizada com estas características não pode deixar de merecer um elevado grau de escrutínio público», refere o documento.
Também nas redes sociais multiplicaram-se as críticas ao sucedido. A página “Coração Vareiro” criticou diretamente o presidente da Junta de Freguesia de Cortegaça, Paulo Pinheiro, apelidando-o de «Paulo Lenhador» e questionando a ausência de informação sobre esta intervenção na página oficial da autarquia.
Cenário de desolação
Já Américo Dias, antigo membro da Assembleia Municipal de Cortegaça pelo PS de Ovar, classificou a situação como «um atentado ambiental à memória coletiva de Cortegaça». Num longo texto publicado no Facebook, lamenta a destruição de um espaço que considera «identitário» para várias gerações. «O que aconteceu no Parque Merendeiro do Buçaquinho não foi apenas um corte de árvores. Foi um corte na memória coletiva de Cortegaça», escreve, recordando os convívios, piqueniques, festas populares e celebrações do Dia da Amizade que ali decorreram ao longo das décadas.
O Partido Socialista de Ovar também reagiu duramente ao abate, considerando que o Parque do Buçaquinho foi transformado «num cenário desolador, árido e sem identidade». Os vereadores socialistas Emanuel Oliveira, Fernando Almeida e Eva Oliveira exigiram explicações ao executivo municipal sobre os responsáveis pela intervenção e os planos previstos para recuperar o espaço.
No comunicado divulgado, o PS refere que, apesar de ter sido apontada uma alegada intenção antiga do ICNF para justificar a intervenção, «a responsabilidade só pode mesmo recair sobre a Junta de Freguesia de Cortegaça», sublinhando ainda que os resultados financeiros da venda da madeira revertem a favor da junta. «Destruíram sombra, conforto e qualidade de vida sem qualquer alternativa pronta, planeada ou visível», acusam os socialistas, criticando o silêncio do presidente da junta perante a situação.
Também Daniela Patarena, líder do Grupo Municipal AGIR!, classificou o sucedido como «um saque ambiental». Num comunicado publicado nas redes sociais, questiona «a verdadeira motivação deste abate em massa» e exige «transparência total sobre os valores da venda da madeira». «A Junta de Freguesia de Cortegaça decidiu alienar o património natural da terra para reverter as receitas para os seus cofres», acusa.
A responsável critica ainda o facto de o corte ter ocorrido às portas do verão, deixando o parque sem sombra numa altura em que o espaço é habitualmente utilizado por famílias, associações e visitantes. «Venderam a sombra dos nossos filhos por meia dúzia de euros», escreveu a dirigente política.
Até ao momento, nem a Junta de Freguesia de Cortegaça nem a Câmara Municipal de Ovar deram esclarecimentos sobre a intervenção, os critérios técnicos adotados ou o plano de recuperação ambiental para o espaço. Apesar do Diário de Aveiro contactar a autarquia para obter declarações, esta não estava disponível. |











