
Aveiro quer ser uma «cidade-esponja»
O município de Aveiro participa no projeto Blue4Green segundo o conceito de “cidade esponja”, a partir de ações piloto desenvolvidas em Bruges, que «combinam várias soluções ecológicas com tecnologias de monitorização em tempo real».
O projeto «testa medidas de retenção hídrica, melhoria da qualidade da água, expansão e monitorização do parque arbóreo e prevenção da proliferação de microalgas, promovendo uma «gestão sustentável da drenagem urbana».
O projeto é liderado pelo município belga de Bruges, com um sistema de canais como em Aveiro. As alterações climáticas «têm vindo a intensificar os fenómenos extremos, afetando a quantidade e a qualidade da água que circula nos canais» e, para contrariar este fenómeno, o Blue4Green «pretende restabelecer um equilíbrio hídrico sustentável».
Integram este projeto, apoiado pela União Europeia, Aveiro e Bruges, Písek (Chequia) e Utrecht (Holanda). O custo total do projeto atinge os 6.227 292,20 euros, com um orçamento da Câmara de Aveiro, de 150.000 euros, e conclusão prevista para maio de 2028.
Sob risco
Em Bruges, aplicam-se medidas de retenção hídrica e permeabilização de solos, promovendo o conceito de “cidade esponja”, evitando inundações, melhorando a qualidade da água dos canais urbanos, reutilização de águas pluviais, expansão e monitorização da arborização e prevenção da contaminação associada à proliferação de microalgas». É uma resposta às alterações climáticas relacionados com a água, nomeadamente períodos de seca, episódios de precipitação intensa, degradação da qualidade da água e stress sobre os espaços verdes urbanos».
Ribeira de Vilar com vários planos
À ideia de criação de uma “cidade esponja”em Aveiro associa-se a recuperação da Bacia Hidrográfica da Ribeira de Vilar, no âmbito dos projetos europeus NBS INFRA e Adapt Clima Cencyl, apresentado, recentemente, à comunidade com soluções face às alterações climáticas,
No caso da Ribeira de Vilar, entre S. Bernardo e a entrada no lago da Fonte Nova, onde desagua, este curso de água foi dividido em duas partes. A candidatura ao financiamento, entre a rotunda do Parque de Exposições e a linha férrea, já foi aprovada pelo programa “Sustentável 2030”, e prevê um investimento de cerca de 2,1 milhões de euros, cofinanciado em 85 por cento.
Entre a rotunda e as traseiras da Junta de Freguesia de S. Bernardo, na zona de Vilar, no âmbito do programa Centro 2030, será uma obra a candidatar, também com boas perspetivas de aprovação e apoio financeiro.
As soluções a aplicar são «inspiradas na natureza», através de uma atuação segundo o conceito NBS – Nature-Based Solutions, para evitar inundações, erosão e deslizamento dos terrenos, melhoria da qualidade da água ou risco de incêndio. Em caso de picos de precipitação, algumas NBS passam pela criação de bacias de acomodação de água, de forma a reduzir o volume que chega à foz (ao lago da Fonte Nova e canais urbanos); meandrização da linha de água, ou seja, alterando o trajeto da ribeira, passando de uma linha recta para um “zig zag”, atrasando o processo de inundações e cheias; despavimentação; permeabilização dos solos e plantação de árvores de grande porte, com mais volumetria de copa para aumentar a capacidade de retenção de água da chuva.












