
Acordo de Luís Souto e Diogo Machado provoca uma onda de choque
O acordo de governação que acrescenta um vereador a tempo inteiro na Câmara de Aveiro, passando a quatro mais o presidente da autarquia, Luís Souto, presidente do PSD/Aveiro, alcançando a maioria absoluta no executivo, foi, oficialmente, conhecido através de um comunicado daquele partido e do Chega, mas apenas assinado pela comissão política concelhia social-democrata.
Seguiram-se outros comunicados, de protesto, do PS e de um dos três partidos da coligação que governa a autarquia, o CDS, além do PCP, BE, Livre, IL, BE, JS e JSD. Contudo, o CDS votou na abstenção, enquanto o PS posicionou-se contra a designação de mais um vereador a tempo inteiro, por falta de respostas de Luís Souto - além de considerar estranho que o vereador do Chega «não esteja disponível para colaborar» «sem que, para isso, tenha que exercer funções a tempo inteiro». Sobre os efeitos do afastamento do CDS, a vereadora Ana Cláudia Oliveira, líder concelhia do partido, não pretende que seja um prenúncio de instabilidade governativa ou bloqueio e chegou a pedir esclarecimentos a Luís Souto sobre a manutenção integral do programa eleitoral da “Aliança com Aveiro” e a continuidade de prioridades estratégicas do executivo, nomeadamente nas áreas: social, inclusão, proximidade, coesão social, apoio ao movimento associativo e política cultural, segundo um modelo de governação de consenso e estabilidade da coligação.
Entretanto, e até à hora do fecho da edição e, desde a realização da reunião privada, na manhã da passada terça-feira de manhã, a câmara não comunicou o “Acordo” ou os pelouros que serão entregues a Diogo Machado.
Um “Acordo” que expressa a «vontade pelos aveirenses demonstrada nas urnas» (nas autárquicas de 2025), mas nem o CDS concorda, notando que houve uma «alteração ao modelo de governação sufragado pelos aveirenses, ao permitir a integração em funções executivas permanentes de um vereador que não integra a coligação “Aliança com Aveiro”».
As reações
Emídio Sousa, líder distrital de Aveiro do PSD, atual secretário de Estado do Ambiente, disse ontem ao Diário de Aveiro que «os executivos camarários têm toda a liberdade de fazerem os acordos que entenderem para garantir a governação, o que interessa é a governação».
O Diário de Aveiro tentou obter uma declaração do anterior presidente da Câmara, Ribau Esteves, atual presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, mas não tem, disse, «qualquer comentário» a fazer. Assim como Simão Santana, ex-presidente da concelhia do PSD, questionado, respondeu: «neste momento não farei nenhuma declaração sobre o tema». Neste caso, Ribau Esteves e Simão Santana protagonizaram duas demissões dos cargos na concelhia do partido precisamente por discordarem da escolha de Luís Souto, por Luís Montenegro, para a candidatura à câmara, em 2025.
Firmino Ferreira, atual deputado do PSD na Assembleia da República, é vice-presidente de Luís Souto na comissão política concelhia do PSD. Contudo, a sua declaração é na qualidade de militante. Por um lado compreende «a insatisfação de muitos companheiros(as) e aveirenses, que votaram num projeto político de coligação para a governação do nosso município e o veem, agora, também governado por outra força partidária». Por outro lado, a coligação não conseguiu «uma maioria» para «encetar um conjunto de obras e reformas fundamentais e fizeram parte do manifesto eleitoral».
Neste “debate” também participa Alberto Souto, ex-candidato à câmara e antigo presidente da autarquia, eleito pelo PS, e Diogo Machado.
Sabendo da ascensão de Diogo Machado e do “Acordo”, Alberto Souto classificou o Chega de «partido anti Abril, salazarento, racista e xenófobo» considerando estar perante um «negócio de mercearia».
Esta classificação sobre Chega é «sem fundamento», respondeu Diogo Machado, e sobre a “mercearia” até «parece quando o balcão é gerido pelos amigos certos, os acordos são assinados pelo PS e as dívidas ficam para os outros pagarem».
Agora, será a vez de Diogo responder, porque Alberto Souto já voltou a escrever nas redes sociais para dizer que o vereador do Chega pretende «distrair as pessoas do preço por que se mercadejaram».
A “extrema direita” e a “machadada”
No dia seguinte à aprovação de mais um vereador a tempo inteiro, reagiram também o PCP, BE, Livre, Il, JS e JSD, além do PS e CDS. Para o LIVRE, o PSD «abre a porta à extrema-direita», referindo-se aos riscos de «divisão, populismo, exploração do medo, exclusão». Uma «machadada no Executivo aveirense» e a «fragilidade de uma solução sem alinhamento estratégico e sujeita a reconfigurações de conveniências», para a IL. O BE critica Luís Souto por alinhar com um partido de «ataque aos mais frágeis e proteção dos poderosos» e o PCP critica o «calculismo e oportunismo sem programa ou relação com a resolução dos problemas». A JS diz que foi uma decisão para «legitimar e normalizar a influência do Chega, cujo discurso assenta na estigmatização de comunidades, em posições de cariz xenófoba e racista». A JSD reconhece «a complexidade desta solução», mas compreende a «necessidade de assegurar condições para governar sem bloquear por impasses políticos. O Chega triplicou a sua expressão eleitoral e não pode ser simplesmente ignorado











