
Luís Souto afasta CDS do acordo com o Chega
João Peixinho
A vereadora do CDS, Ana Cláudia Oliveira, da coligação “Aliança com Aveiro”, que inclui ainda o PSD e PPM, absteve-se, ontem, na votação da designação de mais um vereador em regime de tempo inteiro, no caso, Diogo Machado, do Chega.
Os quatro votos contra do PS obrigaram Luís Souto a desempatar. Obteve a concordância de si próprio, de dois vereadores da coligação PSD-CDS-PPM, e de Diogo Machado para aprovar a designação de um vereador a tempo inteiro. Perante um empate, usou o voto de qualidade.
Segundo comunicado da concelhia do CDS, a que Ana Cláudia Oliveira preside, é uma «alteração ao modelo de governação sufragado pelos aveirenses», pelo facto de «permitir a integração em funções executivas permanentes de um vereador que não integra a coligação “Aliança com Aveiro”». Mas, segundo comunicado conjunto do PSD e do Chega, o acordo teve «em conta a vontade expressa pelos aveirenses nas urnas», enquanto o CDS adverte que o facto do Chega não integrar a coligação que venceu as eleições pode provocar «implicações políticas relevantes», segundo o CDS.
O CDS lamenta a sua «ausência desta solução política», o que não é desmentido pelo “Acordo de Governação para o Município de Aveiro entre PSD e Chega”. Faltou «respeito pelos princípios de lealdade institucional», segundo o CDS. Contudo, é um acordo «sem prejuízo do compromisso político pré-eleitoral entre PSD, CDS e PPM», segundo o texto. Contudo, o CDS pretende «garantir a estabilidade do executivo municipal».
A nova maioria no
executivo municipal
Esta mudança cria uma maioria de votos no executivo, o que o PSD e Chega designam por «estabilidade governativa», prometendo «mais investimento, mais obra», reforço da coesão territorial e «proteger as pessoas e os seus bens, valorizar os recursos naturais que tornam esta região singular, ampliar a capacidade de inovar, crescer e competir».
PS contra
O PS votou contra, porque Luís Souto não justificou a necessidade de mais um vereador a tempo inteiro e não indicou os pelouros a atribuir a Diogo Machado, disse a vereadora Paula Urbano ao Diário de Aveiro.
Nega que os vereadores socialistas obstaculizem a ação da câmara, como Luís Souto tem alegado para justificar a necessidade uma maioria, contabilizando 240 votos a favor de propostas da câmara, 11 abstenções e quatro contra.
Se na proposta apresentada refere que «reconhece-se a vantagem de poder com mais um vereador no exercício dos pelouros que lhe venham a ser atribuídos», o PS pergunta: «Poder, o quê?», além de que pretendia ainda saber «a quem serão retirados pelouros».
E se há o objetivo «de garantir condições de estabilidade governativa», como diz Luís Souto, os vereadores do PS pediram para o presidente exemplificar «quando foram postos em causa os superiores interesses do município pelo facto de não possuir maioria nesta câmara».










