
PS quer pormenores sobre a defesa da costa e vai pedir explicações à ministra
Ainda esta semana, o PS questionará o Governo sobre os planos e projetos para a defesa da costa, solicitando que lhe sejam entregues «alguns documentos», e convocará para a comissão parlamentar do Ambiente a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, assim como Pimenta Machado, o presidente da APA (Agência Portuguesa do Ambiente), e autarcas dos municípios do distrito com orla costeira.
Ontem, deputados eleitos por Aveiro e deputados que integram a comissão do ambiente (CA) visitaram as praias de Maceda e do Furadouro, em território ovarense, e o Cais da Cova do Chegado, na Murtosa, com Pedro Vaz, o deputado que coordena a CA, a enunciar as três grandes questões que os socialistas querem ver respondidas: que investimentos em concreto serão afetados à defesa da costa, que tipo de obras serão feitas e com que financiamento.
«Exige-se perceber a calendarização dos investimentos anunciados», sublinhou o parlamentar, com nota de que os fundos do atual quadro comunitário de apoio «estão todos alocados, bem como o acréscimo do Fundo Ambiental».
Os deputados eleitos pelo PS, assim como autarcas que participaram no périplo, mostraram-se descrentes de que seja possível, como quer o executivo da AD, fazer as obras necessárias até 2029, que será ano de eleições autárquicas e legislativas.
Hugo Oliveira, presidente da Federação de Aveiro, logo avisou, que, tendo sido a costa de Ovar, «das mais afetadas» pelo comboio de tempestades do início do ano, exige-se «uma intervenção de fundo», suportada por «um grande investimento», como – disse – «está a acontecer noutras zonas do país».
Sublinhando que a defesa da linha costeira não é tema que separe direita e esquerda, o parlamentar considerou que «o que poderá separar» será a vontade, ou a falta dela, de fazer a intervenção que é necessária.
«Não se pode continuar a adiar uma intervenção de fundo», avisou, com nota de que também não se deverá continuar a realizar, em cada ano, apenas «obras de maquilhagem», com o objetivo de criar condições mínimas para o veraneio. Pedro Vaz falou em «paliativo» que não resolve o problema central.
Sobre a solução para a orla costeira do concelho vareiro, que prevê o depósito de dois milhões de metros cúbicos de areia, os deputados não dizem que “não”, mas alertam para o prazo e para a urgência que a realidade dita. Além de que, como salientou Emanuel Oliveira, vereador socialista no executivo concelhio, duvidam que resolva, se não for acompanhado por uma solução técnica que segure essas areias.
O aterro de resíduos selados a cerca de meio quilómetro das águas do mar, em Maceda, também é preocupação, uma vez que estaria salvaguardado por 100 anos, mas – vincou o autarca local - só este ano 20 metros de costa já se foram. Também neste caso, o PS pedirá explicações ao Governo, sobre o tipo de resíduos enterrados, como se têm comportado no terreno e se não haverá «uma solução estrutural», que poderia passar pela sua mudança para uma infraestrutura mais apropriada.
Na Murtosa, a comitiva do também chamado partido da rosa demandou o Cais da Cova do Chegado, onde falou com pescadores que nele têm uma base problemática.
O assoreamento do pequeno porto tem complicado o dia-a-dia de quem ganha a vida lançando as redes à água. «As pessoas querem ir trabalhar e não podem», sublinhou o pescador João Pinho.
Em certas horas do dia,o lodo depositado pela maré impede que as embarcações saiam ou entrem.
Aquele pescador testemunhou que «muitos» dos seus colegas até já trocaram de cais», lamentando que tenha sido realizada uma intervenção no vizinho Cais do Bico e que as máquinas se tenham ido embora, quando poderiam ter sido transferidas para aquele cais, resolvendo o problema.
Ficou, ainda, o lamento pelas promessas não cumpridas da Câmara Municipal da Murtosa, incluindo a falta de luz pública.












