
Na luta pela democracia, a prisão pela PIDE era um desfecho comum
«O país era muito pobre», diz Jorge Seabra. Muitos dos seus amigos de infância «andavam descalços». A família pertencia a uma «burguesia com algum dinheiro» que construiu a sua vivenda na Rua da Granja, uma rua nova de Aveiro que traçava a fronteira do bairro da beira mar. «Do outro lado era o campo, já não era cidade. Eu passei a minha infância nesse limite. E muitos dos meus amigos do casco velho da beira mar e os do campo eram pobres, passavam fome».
O convívio diário com a pobreza ajudou a formar a sua consciência política. Assim como o contexto familiar. «Vivi num ambiente familiar político. Já vinha um pouco da família do meu pai, o meu avô já era republicano», descreve. O seu pai, o médico Armando Seabra, fazia parte do núcleo progressista da cidade, participando na tertúlia do café Trianon ou na organização dos congressos da oposição em Aveiro. «Eu vivi a minha infância e adolescência numa casa em que não se discutia praticamente futebol nem o festival da Eurovisão. Discutia-se tudo. Tive uma formação muito politizada», conta.
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