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O que leva alguém a querer doar o corpo à ciência?

Antigo docente da Universidade de Aveiro, José Pereira, de 79 anos, é um exemplo vivo do altruísmo para além da morte

Por mera questão logística, conversámos apenas por telefone, mas, verdade seja dita, ficámos com vontade de o conhecer pessoalmente. Residente no concelho de Matosinhos (Porto), José Pereira não é só um professor aposentado que decidiu doar o corpo ao Departamento de Ciências Médicas da Universidade de Aveiro (UA) - a universidade da sua vida, onde lecionou durante décadas até ir para a reforma - para estudo anatómico e fins de ensino e investigação científica, tal como está consignado nos termos do Decreto-Lei n.º 274/99, de 22 de julho. É também, e acima de tudo, um homem bom, generoso... um e­xemplo vivo do altruísmo para além da morte.

O ter aceitado falar connosco sobre um assunto que muitos não querem sequer ouvir falar só vem confirmar a sua genero­sidade. E a leveza com que o fez ficará para sempre guardada quer na nossa memória, quer no nosso coração.

Estamos perante um marido, pai e avô que, do alto dos seus qua­se 80 anos, está de bem consigo mesmo e com a vida em geral.  Tão bem que, mesmo depois da morte, quer ajudar a salvar vidas e a aliviar o sofrimento de outros. E di-lo abertamente, “sem mas nem meio mas”.

À nossa questão “o que o levou a querer doar o corpo à ciência?”, respondeu de forma clara: «Já há muitos anos que a­chava que era um  desperdício queimar ou apodrecer um cor­po, uma máquina tão complexa e interessante como um corpo, antes de alguém poder ainda a­prender alguma coisa».

 

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Abril 23, 2026 . 08:10

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