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Aveiro assinala o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Programa municipal reuniu especialistas, ações formativas e atividades culturais, envolvendo a comunidade na conservação de bens históricos face a desastres e ameaças atuais

Aveiro assinalou, ontem, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios com um conjunto de iniciativas dedicadas à valorização e proteção do património cultural. A programação, organizada pela Câmara Municipal, decorreu ao longo do dia e concentrou-se no Museu de Santa Joana, onde a manhã ficou marcada por uma ação de formação dedicada à conservação de coleções em papel e pergaminho. A iniciativa superou as expectativas, com o número de participantes a ultrapassar as inscrições previstas.

Na abertura da programação, o diretor do museu, José Rebocho Christo, destacou a importância de abrir os museus à comunidade e de tornar o património acessível. «Os museus só têm utilidade se tiverem públicos. Se estiverem fechados sobre si mesmos perdem grande parte do interesse», referiu, sublinhando que a entrada gratuita contribuiu para criar um ambiente mais aberto e participativo.«Foi criada a oportunidade de toda a gente, transversalmente, recolher algum conhecimento na área da proteção do património».

No final da sessão, os participantes visitaram a reserva do livro antigo, onde puderam observar códices e manuscritos com vários séculos de existência, os quais emergem como um exemplo claro do conceito de património vivo. «Os museus não são um cemitério de património. Estas obras estão vivas», afirmou, José Rebocho Christo, destacando, ainda, o valor histórico e humano das peças preservadas, referindo o trabalho desenvolvido por copistas e iluminadoras ao longo dos séculos.  «Conseguimos trazer até ao nosso tempo uma materialidade que nos dá, também, os personagens que habitaram esta casa», disse, acrescentando que esses testemunhos permitem compreender melhor a identidade e a memória coletiva. «Estamos a viver tempos em que estes fenómenos provocam danos no património histórico e é essencial saber como agir», alertou.

Também o presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Luís Souto, sublinhou que o programa procurou ir além da celebração simbólica. «Organizou-se aqui um evento muito interessante, com conhecimento científico e técnico e onde especialistas da câmara apresentam medidas já em curso para proteger o património», referiu ao Diário de Aveiro.

Luís Souto reforçou, ainda, o compromisso do município. «Há uma afirmação inequívoca de um empenho da autarquia na defesa do património», disse, destacando a necessidade de decisões informadas. A divulgação foi outro dos pontos enfatizados pelo presidente. «Não se protege o património se ele não for conhecido», afirmou, defendendo a aposta no turismo cultural como forma de valorização e sensibilização.

O balanço final é positivo, marcado pela sensibilização para a importância da preservação. «É importante saber o que cada um de nós pode fazer. Qual é a migalhinha que podemos adicionar para atingir um objetivo mais global», reforçando a ideia de que a proteção do património é uma responsabilidade partilhada e que cabe a todos. |

Abril 19, 2026 . 09:30

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