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“Quem inventou a partida não sabia o que era amar” estreia hoje em Ovar

Espetáculo sobe, hoje, ao palco do Centro de Arte de Ovar. No dia 21 de maio será a vez do Cineteatro Alba o receber na suas instalações

O Centro de Arte de Ovar recebe, hoje, a estreia da performance “Quem inventou a partida não sabia o que era amar”, que apresenta a montagem de uma instalação, originalmente pensada para o espaço expositivo, agora na plateia das salas de espetáculos.
Dois artistas, mulher e pessoa “queer”, constroem ao vivo um dispositivo que figura uma casa, entendida como objeto plástico e audiovisual. A instalação reflete sobre a arquitetura afetiva e dissidente, erguendo-se entre o desejo de partir e a necessidade de permanecer numa casa que não é, mas promete vir a ser. «De que forma a ausência e o deslocamento reconfiguram o sentimento de pertença? O que são, afinal, território e identidade quando se transformam em ferramentas de exclusão e silenciamento?», estas são algumas das perguntas que o espetáculo pretende responder, sendo esta uma criação que se inscreve como objeto de investigação sobre as fronteiras de significado do espaço expositivo, entendido como o “lugar onde se expõe”. «Ao transportar o formato instalação, tradicionalmente acolhido em contextos museológicos, para o espaço cénico, o projeto tensiona as convenções de ambos os regimes espaciais e questiona as fronteiras entre práticas artísticas e modos de apresentação», explicam os criadores, Mariana Sevila e Ruben Carneiro.

Deslocamento
e pertença
O projeto problematiza, também, a condição do artista contemporâneo perante os parâmetros institucionais. «A tensão entre conceber uma obra que responde a uma necessidade artística e adaptar-se a formatos programáveis e legíveis para mecanismos de financiamento evoca a análise de Pierre Bourdieu sobre o campo artístico e o capital cultural, bem como a reflexão de Judith Butler sobre a formação da subjetividade em relação a normas sociais e instituições».
A fricção experienciada com entidades institucionais, acrescenta, torna-se, «paradoxalmente, uma analogia com o próprio tema da dissidência: uma casa provisória, construída em território pouco permeável». A instalação oferece um lugar de pausa, de encontro e de reconstrução com o público, refletindo sobre deslocamento e pertença como experiências complementares.
O espetáculo estreia hoje, às 21.30 horas, no Centro de Arte de Ovar e terá nova apresentação a 21 de maio no Cineteatro Alba. A instalação é em coautoria de Mariana Sevila e Ruben Carneiro, com Noiserv na composição sonora e Paulo Madureira na fotografia e vídeo.

Abril 17, 2026 . 11:45

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