
Três dias a recriar as invasões francesas
Organizada pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, em parceria com a Junta de Freguesia de Arrifana, coletividades e escolas, a iniciativa integra concertos, performances de dança, desfiles equestres, mostras de armas, um acampamento militar, uma “feira peninsular” com artesanato e alimentação, e até uma sessão culinária sobre o fabrico do bolo que ficou conhecido como “Napoleão”. «Estamos a falar de um evento que valoriza uma parte importante da nossa história, que envolve a comunidade e que dinamiza o território», declarou o presidente da Câmara Municipal da Feira, Amadeu Albergaria.
Recriação quer
ser evento identitário
O autarca quer, por isso, «afirmar as “Invasões Francesas em Arrifana” como um projeto com identidade própria, que tem potencial de crescimento no concelho», numa lógica de continuidade e crescimento.
Os diferentes momentos do programa têm, sempre, por base o mesmo contexto histórico: durante a segunda invasão do Porto pelos franceses, no âmbito da Guerra Peninsular, o tenente-coronel Lameth, particularmente prestigiado entre as tropas de Napoleão, foi morto em Santiago de Riba-Ul, no concelho de Oliveira de Azeméis, numa emboscada liderada por Bernardo Barbosa Cunha, natural de Arrifana.
Foi em retaliação ao ataque em Ul que o marechal Nicolas Soult (tio de Lameth), deu ordem às suas tropas para rumarem a Arrifana, onde, a 17 de abril de 1809, sob o comando do general Jean Guillaume Thomières, assassinaram 71 pessoas, entre as quais 62 habitantes da freguesia, que tinham procurado refúgio na igreja local, julgando tratar-se de um espaço seguro e respeitado.
O ponto alto do evento, que conta com um orçamento a rondar de muito perto os 46.000 euros, será, assim, a encenação do chamado “Massacre de Arrifana”, no largo onde atualmente se ergue o Memorial aos Mártires.
Essa recriação específica está marcada para as 21.30 horas de sábado e, segundo a organização, constitui um «espetáculo de grande formato que transporta o público até ao século XIX, recriando o impacto devastador das invasões francesas» nessa freguesia, avança a organização, sendo este uma proposta de entrada livre.
«Com um cenário dramático e, simultaneamente, realista, os espectadores acompanharão a invasão das tropas francesas, a resistência do povo português e o confronto com o império napoleónico”, prometem os organizadores. Por outro lado, este tipo de iniciativa contribui para despertar na comunidade interesse pela história local e do país, conhecendo melhor factos que marcaram o percurso do território.
Este evento vai acontecer em sete espaços diferentes: Monumento e Palco aos Mártires; Palco Guerra Peninsular; Acampamento Marechal Soult; Acampamento Equestre Napoleónico; Espaço Famílias; Cercadinho dos Animais; Jogos do Morgado; Carrossel de Época; Artesanato e Vendedores e, por fim, Praça de Alimentação.










