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LÚNARA: o som ancestral que ecoa a partir de Aveiro

Projeto musical surge com proposta diferenciadora, não só pela centralidade da voz feminina, mas também pela componente estética e sensorial

Há um novo sopro artístico a emergir em Aveiro e traz consigo ecos de tempos antigos, ritmos ritualísticos e uma estética que parece atravessar séculos. Chama-se LÚNARA, um projeto musical que nasce da convergência entre tradição, imaginação e identidade, com a ambição de transformar cada atuação numa experiência sen­sorial imersiva. No centro deste universo está Mariana Carneiro, também conhecida como Mari Boop, voz e tambor do grupo e a mente criativa que idealizou o projeto.

Em entrevista, descreve a LÚNARA como um «encontro entre três músicos de percursos distintos, unidos por uma paixão comum: a música ancestral e a estética medieval». A acompanhá-la estão Renato Gallotti, na guitarra alaúde, trazendo a base harmónica e a ligação às sonoridades tradicionais, sen­do também responsável pela direção artística e ainda Jeferson Silva, que assume a flauta, acrescentando textura, melodia e uma dimensão mais etérea ao conjunto, podendo também integrar elementos de percussão. Juntos, constroem uma sonoridade que oscila entre o terreno e o etéreo, onde cada instrumento parece contar uma história própria.

Para já, o repertório assenta em recriações de temas existentes, desde o imaginário celta e medieval até referências contemporâneas do cinema e da televisão, mas o futuro passa, também, pela criação original: «já estamos a desenvolver temas próprios, para aprofundar a nossa dimensão autoral», afirmou ao Diário de Aveiro. Num território como Aveiro, onde a diversidade musical tem vindo a crescer, “sentíamos que havia espaço para algo assim”, explica Mariana, sublinhando a centralidade da voz feminina e a preocupação estética como elementos distintivos.

Mais do que música, o projeto assume-se como uma experiência visual e narrativa. Os instrumentos - tambor, flauta e guitarra alaúde - não são apenas escolhas sonoras, mas também simbólicas, reforçan­do a ligação ao universo medieval. O mesmo cuidado estende-se ao figurino, desenha­do pela marca Madame Boop, criada por Mariana, garantindo coerência entre som e imagem, que assenta numa ideia-chave: «celebrar o feminino ancestral». Mariana descreve-o co­mo uma «reconexão com a mulher enquanto guardiã de saberes, ritmos e espiritualidade» e, em palco, essa visão traduz-se numa presença que é, simultaneamente, íntima e ritualística, convidando o público a entrar num outro tem­po, ou talvez num outro estado de presença.

Com os primeiros contactos já a surgir, a LÚNARA prepara-se para ganhar estrada. O plano imediato pas­sa por marcar presença em feiras medievais e eventos temáticos pelo país, mas querem levar este universo a palcos europeus, tanto em formatos itinerantes como em concertos mais estruturados.

Março 30, 2026 . 09:50

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