
Nas entranhas da terra, os túneis contam histórias do passado
Entre troços de água e caminhos florestais percorremos, num formato circular, uma extensão de três a quatro quilómetros. Pelo caminho, andámos por túneis sem luz natural, de piso irregular e com água pela anca. As nossas cabeças, dentro dos capacetes de segurança brancos, estiveram a escassos centímetros de um morcego pousado numa rocha de cabeça para baixo. Caminhámos, agachados, por galerias enlameadas. Mas o mais penoso da caminhada aquática “Pelas Entranhas da Terra” foi mesmo enfiar os nossos corpos nos fatos de neoprene, uma borracha sintética usada em atividades que requerem o contacto com a água.
Começamos por introduzir os pés e as pernas mas o material agarra-se à pele, como se tivesse cola. Ajustar o corpo ao fato – pernas, tronco, braços - é um exercício de tenacidade, força e perícia. Ainda para mais, somos os primeiros a chegar ao ponto de encontro definido, a sede da Liga dos Amigos de Folharido e Braçal, na antiga escola da aldeia, mas os últimos a equipar-nos, o que aumenta a pressão. Tentamos ser rápidos – não queremos que a expedição aos túneis do antigo Complexo Mineiro do Braçal se atrase por nossa causa. Mas isso revela-se uma tarefa impossível, e como não temos experiência o empreendimento torna-se ainda mais trabalhoso.
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