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Incêndio na zona do Barrocal, entre Algeriz e Parada, volta a “pôr a nu” falhas graves de comunicação

«Não existe rede móvel; não existe rede de fibra; os telefones fixos ali existentes estão permanentemente avariados e agora a MEO ameaça retirar a rede de cobre que nos serve», disse-nos um residente que esteve a ajudar no combate a este fogo no concelho de Anadia

«Não foi nada de grave, tendo em conta que choveu no dia anterior e que, uma vez mais, fomos os primeiros a chegar», mas podia ter sido. Aliás, se alguém se tivesse aleijado, não tínhamos acesso ao 112». O desabafo foi feito por Jorge Esteves Ferreira. Em declarações ao nosso jornal, este sócio e antigo presidente da Associação Cultural e Recreativa de Algeriz (ACRA) referia-se ao incêndio que, ontem à noite, deflagrou em detritos não confinados - entenda-se «monte de ramos e resíduos de árvores» - e que, uma vez mais, “pôs a nu” falhas graves de comunicação.

«Não funcionou o 112 nem o próprio SIRESP [Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal] dos bombeiros», garantiu este residente na aldeia de Algeriz, pertencente à freguesia de Vila Nova de Monsarros, que «estava em casa quando me ligaram para o telefone fixo a dizer que havia um fogo». «Foi o que nos valeu, assim como o rádio de comunicações que a associação [ACRA] tem», afirmou, acrescentando que foram, novamente, «os primeiros a chegar ao teatro de operações».

«Sabe, isto tem acontecido frequentemente», chamou a atenção, a propósito desta aldeia onde, à semelhança de outras situadas também no concelho de Anadia, «não existe rede móvel; não existe rede de fibra; os telefones fixos ali existentes estão permanentemente avariados e agora a MEO ameaça retirar a rede de cobre que nos serve», como o próprio descreveu.

Recorde-se que a ACRA é uma das associações concelhias que que faz parte dos protocolos estabelecidos com a Câmara Municipal de Anadia, precisamente, para a vigilância móvel da floresta. Até ao momento não foi possível chegar à fala com esta empresa de telecomunicações nem com o município anadiense.

Contactado pelo nosso diário, o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Aveiro adiantou que o alerta para este incêndio em detritos não confinados foi dado às 21.06 horas, tendo-se deslocado para o local dez bombeiros de Anadia, apoiados por cinco veículos. Ao Diário de Aveiro (DA), o comando sub-regional avançou ainda que não houve vítimas.

Também interpelado pelo DA, o comandante da corporação de bombeiros de Anadia confirmou que, de facto, «esta é uma "zona sombra" em termos de rede de comunicações». E, precisamente, pela existência de falhas de comunicação, tem sido feito, de acordo com Bruno Almeida, «alguns trabalhos por parte do município junto das operadoras para intensificar a comunicação nessas zonas». O responsável lembrou ainda o «investimento da câmara numa rede de comunicação municipal», da qual também fazem parte associações como a ACRA.

De salientar que a Associação Cultural e Desportiva da Sobrosa (Mortágua) esteve igualmente no terreno a ajudar a combater as chamas.

Março 21, 2026 . 14:11

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