
Uma competição que é também «uma festa da matemática»
O Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos (CNJM) juntou ontem 1.884 alunos de todo o país na Universidade de Aveiro (UA). Alguns são tão jovens que as t-shirts que envergam, cedidas pela organização, quase lhes chegam aos joelhos. É o caso de uma criança de sete anos que participa na competição pela primeira vez. Quando lhe perguntamos se gosta de matemática, responde «mais ou menos».
Nem sempre é fácil cativar os alunos para a disciplina. «O ensino da matemática tem muitos problemas», assume Jorge Nuno Silva, professor aposentado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o grande mentor do CNJM. «O dia-a-dia dos professores é muito difícil e não potencia a sua verdadeira vocação, que é a sala de aula», diz. Os docentes são, por isso, «grandes heróis» pelo esforço que dedicam ao ensino desta ciência em condições longe das ideais.
Ainda assim, nota o responsável, existem «muitos exemplos de brilhantismo» entre os jovens, muitos dos quais participaram no evento de ontem na UA. A final do campeonato - que se realizou pela quinta vez em Aveiro, as últimas quatro de forma consecutiva – pôs os estudantes de 369 escolas dos ensinos básico e secundário de todo o país, incluindo ilhas, a disputar seis jogos matemáticos de tabuleiro (Gatos & Cães, Dominório, Quelhas, Produto, Atari Go e Nex). «Não são jogos de sorte, é puro raciocínio», descreve Jorge Nuno Silva, explicando que o torneio promove o pensamento «rigoroso e criativo» e é «uma ótima atividade extracurricular». A adesão tem vindo a aumentar, envolvendo atualmente «mais de cem mil participantes» nas diferentes fases do projeto. É um número «sem paralelo» no universo nacional de atividades escolares.
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