
De jardineiro a presidente de junta «de corpo e alma»
Depois da sua eleição pela coligação Juntos por Águeda, formada pelo PPD/PSD e pelo Movimento Partido da Terra (MPT) nas últimas autárquicas, realizadas em outubro de 2025, a empresa de jardinagem de Ricardo Ferreira passou para segundo plano. Quando o convidaram para liderar a candidatura ainda hesitou. Mas depois de aceitar entrou de cabeça neste projeto de vida. Segundo o autarca, nascido, criado e residente em Recardães, «quando nos envolvemos em alguma coisa temos de nos dedicar de corpo e alma, porque se não for assim não vale a pena».
Diário de Aveiro: Estava ligado ao associativismo? Tinha um papel dinâmico na comunidade, para além de ser marido, pai e empresário?
Ricardo Ferreira: Fui um dos fundadores, aqui, dos escuteiros, que agora, infelizmente, estão parados. Estive muito tempo ligado ao futebol. Fui futebolista num dos clubes que também já terminou, o GDCR - Grupo Desportivo e Cultural de Recardães. Andei noutros, mas foi no GDCR que fiz a maior parte da minha carreira. Neste clube andei durante 15, 16 anos.
Como é que veio parar à política? Já tinha alguma experiência nessa área?
Não. Não tinha experiência política. Foi um convite que me fizeram. Vieram ter comigo e disseram «tens de ser tu, tens de ser tu». Inicialmente, disse-lhes que não, que não podia porque não tinha vida para isto. Continuaram a insistir. Insistiram, insistiram, que uma pessoa chegou a um ponto que teve de ceder.
Quando surgiu o convite para se candidatar?
Surgiu antes do fim do anterior mandato. Inicialmente hesitei, porque é preciso tempo para estar à frente de uma união de freguesias (UF), como a nossa, que não é pequena. Note-se que são quase 20 quilómetros quadrados. E, em meu entender, para desempenharmos um bom trabalho ao longo dos quatro anos, acho que temos de nos dedicar de corpo e alma, porque, se não for assim, não vale a pena. Estamos aqui para fazer obra. Se não for para fazer obra, não vale a pena.
Portanto, está nesta junta «de corpo e alma»?
Sim, claro, desde outubro passado.
Então, mas mesmo não tendo experiência política, resolveu avançar?
Sim.
Concorreu com lista única? Ou havia outras candidaturas?
Havia mais três listas. Ganhei com maioria absoluta em ambas as freguesias.
O que é que já fizeram desde outubro até então?
Temos aí já várias coisas feitas. Uma das nossas prioridades foi, logo, as escolas [e jardins de infância (JI)], onde já fizemos várias intervenções. Intervenções que são pequenas, mas que são necessárias para que uma escola funcione minimamente. Ainda esta semana [primeira semana de março] vai ser feita outra em Espinhel. Está a chover dentro da escola [onde funciona o JI] e vão lá trocar umas caleiras e não só. Também interviemos a nível de luzes.
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