
Autoridades iranianas denunciam agressão dos EUA e de Israel na ONU
O embaixador do Irão junto das Nações Unidas em Genebra denunciou hoje, perante o Conselho de Direitos Humanos, que os Estados Unidos e Israel lançaram um "ataque militar indiscriminado e massivo" que viola a Carta das Nações Unidas.
"Nos últimos dias, escolas e hospitais foram bombardeados, figuras civis, incluindo o líder supremo [do Irão, Ali Khamenei], foram mortas, e a sede do Crescente Vermelho, juntamente com muitos outros edifícios não militares, foi destruída", afirmou Ali Bahreini, intervindo no debate geral do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.
Bahreini assinalou a morte de mais de 160 raparigas num desses ataques e sublinhou que a agressão contra o Irão "é um exemplo da supremacia da força sobre os direitos humanos".
No debate também participaram países do Golfo, que condenaram os ataques iranianos em resposta à ofensiva de Israel e dos Estados Unidos, sublinhando o seu direito à "autodefesa" em relação a Teerão.
"[Tais ataques são] uma violação flagrante da nossa soberania, do nosso espaço aéreo, do Direito Internacional, da Carta da ONU e do princípio das boas relações entre os países", declarou a delegação do Kuwait, que instou o Irão a "cessar a sua agressão e terminar qualquer ofensiva que ponha em risco a paz, a segurança e a estabilidade da região".
Os Emirados Árabes Unidos, cuja delegação informou que os ataques iranianos no seu território resultaram em três mortos e 58 feridos civis, sublinharam que o Irão não pode usar o seu território “para acertar as contas", manifestando a sua solidariedade para com outros países árabes atacados pelos iranianos, instando ao diálogo e a "soluções diplomáticas".
O Qatar e a Arábia Saudita juntaram-se a estes apelos, enquanto o Iraque condenou os ataques militares contra o Irão, assim como os realizados contra países do Golfo Pérsico.
Os Estados Unidos e Israel retiraram-se do Conselho dos Direitos Humanos no início do ano passado, pouco depois da tomada de posse do Presidente norte-americano, Donald Trump, alegando que esta assembleia, que fará 20 anos em 2026, tem um pendor anti-Israel.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.
O Irão já confirmou a morte do 'ayatollah' Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de três militares norte-americanos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.











