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Maray é a única estreia portuguesa na feira internacional de calçado Micam

Perto de 40 empresas portuguesas marcam presença na maior feira de calçado do mundo, sendo que muito desse calçado é produzido em empresas da região

Única estreante entre as 39 empresas portuguesas na maior feira de calçado do mundo, a decorrer em Milão, a Maray aposta na Micam para arrancar a internacionalização da marca, inicialmente com a Europa no radar.

“Este ano vamos começar o caminho da internacionalização, primeiro para a Europa, sobretudo Itália, França, Alemanha e Polónia”, afirmou a proprietária da marca, Joana Trigueiros, em declarações aos jornalistas no primeiro dia do certame, que decorre de hoje até terça-feira em Itália.

À frente da marca de calçado feminino desde 2019 - quando a comprou por 35.000 euros à fundadora, Rita Corrêa Mendes, após ter decidido por fim a um percurso profissional em multinacionais - Joana Trigueiros disse que se lançou no negócio porque estava “cansada da dinâmica de cada vez menor autonomia e poder de decisão” nas empresas em que trabalhou em Portugal.

Apaixonada pela marca, da qual se tornou cliente assim que a conheceu, decidiu comprá-la quando soube que ia terminar, numa decisão que a fez voltar aos tempos em que, ainda criança, passava os dias na sapataria da família, a Sapataria Trigueiros.

Economista de formação, Joana Trigueiros lidera uma equipa de cinco pessoas na Maray, que faturou 500.000 euros em 2025 e produz 3.500 pares por ano em duas fábricas com as quais trabalha em São João da Madeira.

Tendo como imagem de marca os “sapatos rasos, para mulheres dinâmicas que não precisam de comprometer o conforto para se sentirem elegantes”, a Maray levou à Micam uma nova coleção com 12 modelos e 40 variedades para o Outono/Inverno de 2026.

Os planos de Joana Trigueiros passam por fazer crescer a marca – atualmente apenas focada no mercado português, onde tem duas lojas próprias em Lisboa e presença em três lojas multimarca – até um volume de negócios de 3,5 milhões de euros no prazo de cinco anos, com a internacionalização a responder por 70% da faturação.

“Não quero que cresça mais, porque acredito em marcas de nicho e já trabalhei anos em multinacionais”, afirmou.

Dirigidos à classe média/alta, os sapatos Maray têm um preço médio de venda ao público entre os 150 e os 200 euros e uma gama que vai desde ‘slippers’ a ‘loafers’ e botas, integralmente feitos em pele.

Também especializada em calçado feminino, mas presente já pela segunda vez na Micam, a Helena Mar é a marca própria da empresa PC Footwear, de Oliveira de Azeméis, que ainda tem Portugal como maior mercado, mas tem vindo a conquistar clientes em França, Itália e, mais recentemente, nos Estados Unidos e nos Países Baixos, sobretudo através das vendas ‘online’.

Segundo Júlia Nunes, gestora da marca, o objetivo é que esta venha a responder, em dois anos, por cerca de metade da faturação da empresa, contra os atuais 30%, estando por isso a apostar na presença em feiras internacionais para dinamizar as vendas ‘business to business’, ou seja, através de retalhistas.

Com o mercado japonês do radar, a Helena Mar está a trabalhar com duas ‘designers’, uma das quais italiana, enquanto procura ainda encontrar o verdadeiro “ADN da marca”.

“O nosso objetivo não é vender muito nem para todos, mas vender para os clientes certos. Queremos que o cliente perceba que o que fazemos não é só sapatos, mas calçado com ‘design’, conforto e qualidade”, sublinhou Júlia Nunes.

De inspiração clássica e sempre em pele, os sapatos Helena Mar chegam ao consumidor final a um preço médio na ordem dos 260 euros, enquanto as botas atingem os 500 euros. Nesta edição da Micam, o catálogo inclui 90 modelos de sapatos e, pela primeira vez, dois modelos de carteiras.

Anualmente, a marca, criada em 2017, mas que só no ano passado “arrancou em força”, produz cerca de 4.000 pares.

Outra das empresas portuguesas na Micam é a Fábrica de Calçado da Mata, de Ovar, que emprega 70 trabalhadores e faturou cinco milhões de euros em 2025, está nesta edição a estrear-se com calçado feminino.

“Só fazíamos calçado de senhora a pedido de clientes específicos, mas devido à dificuldade em conseguir penetrar nos nossos mercados tradicionais de homem [o que levou a uma quebra das vendas face à faturação recorde de sete milhões de euros em 2023] vamos tentar senhora, transportando a qualidade de materiais e de ‘design’ para o mundo feminino”, explicou o presidente executivo (CEO) da empresa, Rui Oliveira.

Quase exclusivamente dedicada ao fabrico para outras marcas (‘private label’), a Mata tem França, Alemanha e Países Baixos como principais mercados, mas também o Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e os países nórdicos.

Em destaque na coleção que trouxe a esta edição da Micam está a aposta nos acabamentos manuais mais personalizados, no conforto através da introdução de camadas de espuma nas palmilhas e na resistência à água com uma nova tecnologia de membrana impermeável denominada Mata TEX.

Embora continue focada em contrariar a estagnação no seu mercado de calçado masculino, a Mata aposta agora no segmento feminino para lhe dar o impulso necessário para regressar aos anteriores níveis recorde de faturação.

No ‘stand’ da Lemon Jelly, marca própria da empresa Procalçado, produtora de solas e componentes de sapatos de Vila Nova de Gaia, que se tornou conhecida pelas galochas com cheiro a limão, a novidade são o denominado modelo ‘barefoot’ (pé descalço), que aposta no conforto e liberdade do pé, e ainda a gama completa de vestuário para a chuva que inclui gabardina, chapéu, ‘leg warmer’ (caneleiras) para sobrepor nas galochas e até uma capa de chuva para cão.

“É um ‘full rainwear concept’”, explicou aos jornalistas Catarina Véstia, diretora comercial da marca, caracterizada por produzir através de processos inovadores, que lhe permitem criar calçado de plástico injetado.

Atualmente com 90% da produção dirigida para a exportação, com destaque para França, Alemanha e mercado norte-americano (sobretudo Canadá), a Lemon Jelly abriu no final do ano passado a primeira loja própria em Portugal, no ‘outlet’ de Vila do Conde, e reclama agora “mais apoios da associação [setorial] e do Governo para as empresas investirem no seu próprio país, e não só para a internacionalização”.

Prometendo para breve “mais novidades” da marca no mercado português, Catarina Véstia salientou que “o investimento de retalho é muito pesado e requer apoio financeiro”.

Fevereiro 22, 2026 . 19:37

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