
Centro comercial de São João da Madeira sem solução para fecho de cinemas
O centro comercial de São João da Madeira onde a exibidora Orient Cineplace fechou cinco salas de cinema não tem solução prevista para o fecho desses espaços, confirmou hoje a administração do ‘shopping’.
O encerramento dessas salas do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto surge na sequência do processo de insolvência da Cineplace, que foi decretado em 16 janeiro e motivou o encerramento de dezenas de outros cinemas que a empresa brasileira vinha gerindo em Portugal desde 2013.
Em São João da Madeira, as cinco salas em causa integravam o centro comercial com 97 lojas e 19 restaurantes, cuja administração, quando questionada pela Lusa, não especificou o que acontecerá aos cinemas e disse desconhecer quantos trabalhadores foram afetados pela medida.
“O 8ª Avenida trabalha continuamente para oferecer o melhor mix comercial aos seus visitantes e lojistas, pelo que informará oportunamente sobre qualquer novidade que venha a ocorrer no centro”, disse a administração do shopping pertencente à espanhola Castellana Properties – que, contactada sobre o assunto, não respondeu, tal como fez a própria Orient Cineplace.
A Câmara Municipal de São João da Madeira reuniu-se quarta-feira à tarde com a administração do 8.ª Avenida, mas, questionado pela Lusa, o executivo liderado pelo PSD não revelou o resultado do encontro.
Já a comissão local do PS fez saber que encara o encerramento dessas salas “com preocupação” porque “o cinema não é apenas lazer – é acesso à cultura e contribui para a vitalidade e a centralidade da cidade”.
Em nota enviada à Lusa, o presidente do PS local, Leonardo Martins, defende que “São João da Madeira não se pode resignar a ficar sem cinema e sem uma oferta cultural que faz parte da vida da cidade”, pelo que considera “importante encontrar soluções com o envolvimento de todos os agentes locais, desde logo a Câmara Municipal”.
Segundo os dados mais recentes do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), em 2025 a Cineplace explorava 62 salas de cinema em 12 complexos, sendo a segunda maior exibidora, atrás da NOS Lusomundo Cinemas, líder do mercado com 218 ecrãs.
Desses 12 complexos, a Cineplace encerrou em 2025 os cinemas em Portimão e no Algarve Shopping, na Guia, ambos no distrito de Faro, assim como no Madeira Shopping, no Funchal, e no Rio Sul Shopping, no Seixal (Setúbal).
Na sequência do fim da exibição de filmes em vários espaços, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, anunciou a criação de um grupo de trabalho para refletir sobre a exibição de cinema e o encerramento de salas no país.
Em dezembro, Margarida Balseiro Lopes disse à Lusa que este grupo de trabalho, que integra a IGAC e o ICA, iria “olhar para o histórico dos últimos três anos” sobre pedidos de desafetação, e que terá conclusões no primeiro trimestre deste ano.











