
“Amigos da Ria” dissolvem movimento cívico “MARIA”
A direção do MARIA - Movimento de Amigos da Ria de Aveiro propõe a extinção daquela organização de cidadãos, um assunto a votar na assembleia geral extraordinária convocada para o dia 20 do próximo mês de fevereiro. A direção propõe a dissolução no primeiro ponto da ordem de trabalhos da assembleia, seguido de nomeação de uma comissão liquidatária e decidir quanto ao destino a dar aos bens do património social e financeiro do movimento, após liquidação dos encargos. Paulo Ramalheira preside à direção que propõe a dissolução.
Um episódio que envolve o partido Chega, o plano falhado da publicação do “Livro Branco da Ria de Aveiro”, que «uma elite de personalidades ao mais alto nível havia decidido outorgar», e a relação destas duas questões contribuíram de forma relevante para a extinção do movimento.
Segundo carta enviada aos co-autores do livro, a que o Diário de Aveiro teve acesso, «um episódio sem relevância, maldosamente transformado num facto político do maior alcance, provocou junto de alguns de vós um desconforto, que inviabiliza a prossecução do projeto do “Livro Branco da Ria de Aveiro”». A intenção de o publicar foi apresentada, foram mobilizados especialistas para participarem na redação de textos, mas sem efeitos práticos.
Como fez com outros partidos, a direção do MARIA recebeu, há cerca de quatro anos, uma delegação do partido Chega. O encontro seria contestado por algumas pessoas ligadas ao movimento, o que desagradou à direção por considerar que o MARIA está «muito acima dos partidos».
MARIA não é partido político
Segundo a mesma carta, uma «associação cívica sem fins lucrativos como o MARIA não pode ser avaliada como um partido político, dotado de uma doutrina e de uma estratégia de alianças e táticas (...) não faz alianças com partidos, faz, quando muito, com outras associações, mas tem a obrigação de com eles falar e se entender sempre que o assunto tenha a ver com a Ria de Aveiro».
A carta defende que «excluir um partido, seja ele qual for, seria sempre a pior escolha e seria fornecer um argumentário grátis a alguém que num segundo momento se iria vitimizar e utilizá-lo contra nós, usando supostamente a arma da segregação, que uma parte, felizmente, maioritária, da nossa sociedade condena».
A carta refere que o MARIA «emana diretamente da sociedade civil, é independente de quaisquer poderes políticos, económicos ou religiosos e resulta da agregação voluntária de pessoas, coletividades, associações e organizações disponíveis para participar, apoiar e facilitar a discussão e reflexão de todos os temas relacionados com a Ria de Aveiro».
Criado a 6 de abril de 2019, o movimento MARIA apresentou-se como um «fórum cívico, plural, de reflexão, debate, troca de experiências, ação cooperativa e intervenção pública e no espaço público sobre todas as matérias que digam respeito ao ecossistema da Ria de Aveiro».










