
«Entramos sempre para ganhar em qualquer campo»
Com a demolição do mítico “Comendador Manuel de Oliveira Violas”, em 2018, o Sporting de Espinho não só perdeu o seu estádio de sempre, como viu-se obrigado, a partir daí, a ter de andar todos os anos com “a casa às costas”. Sem estádio, o clube espinhense foi forçado todos os anos a encontrar uma solução para treinar e jogar, tendo, inclusivamente, chegado a jogar fora do concelho de Espinho. Os anos passam e o clube continua sem poder jogar na sua cidade. Como se não bastasse, a equipa de futebol sénior “caiu” nos distritais em 2022, lutando desde então pelo regresso ao Campeonato de Portugal. E é perante este cenário difícil que o Espinho resiste. E resiste porque o que lhe falta em termos de infraestruturas sobra-lhe em adeptos e em apoio popular. A massa associativa nunca abandonou o seu Sporting Clube de Espinho e, ainda hoje, a jogar na Divisão Distrital de Elite (ocupa a segunda posição e luta com a Ovarense, equipa que recebe hoje, pela subida aos “nacionais”), é, claramente, o clube que mais gente leva aos estádios. A alma vareira dos “Tigres da Costa Verde” parece ser eterna.
Bernardo Almeida, presidente do Espinho desde 2015, em conversa com o Diário de Aveiro, abordou a situação atual do clube, não escondendo que, mesmo sem estádio próprio, o objetivo é subir ao Campeonato de Portugal. E foi a pensar na subida de divisão que a direção espinhense optou por mudar, recentemente, de treinador e contratar Fernando Pereira, experiente técnico que, além de possuir experiência do futebol nacional, subiu o Fermentelos ao “SABSEG” e foi campeão distrital pelo Recreio de Águeda e União de Lamas.
Diário de Aveiro: O recente empate (1-1) em casa com o Relâmpago Nogueirense foi determinante para decidirem prescindir do técnico Tiago Leite e contratar Fernando Pereira para o seu lugar?
Bernardo Almeida: A mudança de treinador é sempre em prol do grupo e do clube. Agradecemos o trabalho feito pelo Mister anterior, mas o caminho faz-se caminhando e acho que o Espinho é um candidato ao título. Nunca vamos atirar a toalha ao chão e lutaremos até ao fim com todas as forças e com a raça vareira que nos caracteriza.
Tendo em conta o investimento feito pela Ovarense, para atacar a subida, está otimista?
Eu acredito sempre que o futebol se joga dentro das quatro linhas, nada mais interessa. Uns podem estar de “salto alto” e outros de “fato de macaco”, mas o resultado nunca se sabe.
Está a deixar alguma indireta à Ovarense ou ao trabalho dos árbitros?
É uma indireta a tudo! É uma indireta à organização da Associação de Futebol de Aveiro, porque é preciso ter mais atenção ao que se passa dentro do campo. Para um futebol justo, queremos um vencedor justo. É só isto.
Não faria mais sentido apostar primeiro na concretização do estádio e, só depois, apostar na vertente desportiva e na tão desejada subida de divisão?
Eu acho precisamente o contrário, ou seja, se subirmos, haverá mais pressão para termos um estádio. O Espinho jogará sempre para subir e entramos sempre para ganhar em qualquer campo.
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