
Conversa sobre o teatro em Aveiro no século XIX
No próximo sábado, dia 24, as Conversas de História regressam ao fim da tarde para retomar o seu lugar habitual no Salão Nobre do Clube dos Galitos. Pelas 15.30 horas, a Secção de Cultura volta a abrir as portas à cidade para mais um momento de partilha e descoberta, sempre com entradas livres e gratuitas.
Desta vez, e segundo o historiador Francisco Messias Trindade, o foco recai sobre «um campo pouco explorado da nossa identidade: as artes do espetáculo e da representação».
Tema envolto
num “manto de silêncio”
A palestrante será Judite Lopes, professora e investigadora que se tem dedicado a desbravar a temática cultural aveirense e que, sob o título “Aveiro em cena: os espaços teatrais da cidade no século XIX”, irá conduzir uma conferência que pretende levar o público «numa viagem ao tempo que antecedeu a entrada em funcionamento do Teatro Aveirense.
É, a seu ver, um assunto que permanece, em grande medida, envolto num manto de silêncio. «À semelhança de quase todos os aspectos que dizem respeito à cultura em Aveiro, o século XIX tem sido sistematicamente relegado para segundo plano pelos investigadores, que privilegiam amiúde a história industrial ou os indicadores económicos da região. Não será, certamente, por falta de fontes documentais, mas talvez por um certo desinvestimento na compreensão de uma época que foi verdadeiramente revolucionária».
E vai mais longe, «é comum falar-se das Invasões Francesas, das Guerras Liberais ou da abertura da barra — temas fundamentais, decerto, mas que surgem muitas vezes como episódios isolados», defendendo, antes, «uma visão de conjunto, uma apreciação global desta época decisiva da história de Portugal e de Aveiro».
A abordagem que Judite Lopes propõe sobre o teatro é, por isso, um esforço louvável para trazer à luz do dia o trabalho de tantos atores, encenadores e músicos anónimos — amadores por natureza e paixão — que produziram cultura em prol da comunidade. «É esta “gente invisível” que a investigadora redescobre e nos apresenta».
Toda a comunidade está convidada a assistir e a participar, até porque, como é apanágio destas conversas, haverá um espaço destinado à troca de impressões, esclarecimento de dúvidas e debate de ideias entre a oradora e a plateia. «Será, certamente, uma tarde de enriquecimento cultural», rematou.













