
BE aprova apelo ao voto em Seguro e critica PSD e IL
«Na segunda volta nós vamos ter um confronto entre um candidato pela democracia e um candidato contra a democracia, e neste contexto o Bloco acha absolutamente inqualificável o silêncio das lideranças de PSD e IL», declarou José Manuel Pureza, em conferência de imprensa, na sede nacional do BE, em Lisboa.
O coordenador do BE acrescentou que «o Bloco evidentemente que não hesita e por isso mesmo os órgãos de direção do Bloco assumiram e aprovaram a posição de apelar ao voto em António José Seguro para derrotar André Ventura e para derrotar a extrema-direita nestas eleições presidenciais».
Quanto ao PSD e à IL, José Manuel Pureza considerou que a «recusa de tomada de posição» entre o antigo secretário-geral do PS António José Seguro e o presidente do Chega, André Ventura, acaba por «ser afinal a tomada de posição contra a democracia».
Em nome do seu partido, o coordenador do BE expressou uma «crítica muito veemente a essa atitude de equidistância entre o candidato da extrema-direita, o candidato contra a democracia, e o candidato pela democracia».
Na noite eleitoral de domingo, José Manuel Pureza, anunciou que iria propor o apoio à candidatura de António José Seguro à Mesa Nacional do BE, órgão máximo partidário entre convenções, que se reuniu entretanto, na segunda-feira à noite.
A candidata presidencial apoiada pelo BE, a eurodeputada Catarina Martins, ex-coordenadora do partido, declarou no domingo iria votar em Seguro na segunda volta, que se irá realizar em 08 de fevereiro.
Hoje, José Manuel Pureza defendeu que «a democracia fica a dever a Catarina Martins um contributo muito qualificado, muito corajoso, muito tenaz», e que a sua campanha, que qualificou como «formidável», valeu também pelo foco em temas como os direitos do trabalho, a saúde, a habitação e a igualdade.
Quanto aos resultados, disse que «ficaram aquém daquilo que era desejado e que era merecido» mas realçou que a ex-coordenadora do BE teve mais votos do que as outras «candidaturas à esquerda», do PCP e do Livre: «Foi aquela que melhor resistiu à pressão enorme no sentido de um voto tático».
«Consideramos que a candidatura da Catarina Martins foi muito positiva, muito importante, ainda bem que a candidatura da Catarina Martins foi levada avante», reforçou.
Pureza apelou a todas as pessoas que concordaram com a sua mensagem, mas optaram por «um voto tático» noutro candidato, para que se juntem às lutas do BE «contra a política do Governo» PSD/CDS-PP.
«Nesta primeira volta há ainda um outro resultado a sublinhar que é o resultado que é a derrota clamorosa de Luís Marques Mendes, candidato do Governo e que arrasta o Governo para a derrota que sofreu nesta primeira volta", sustentou, apontando o primeiro-ministro e presidente do PSD, Luís Montenegro, como "um dos principais derrotados».
Interrogado se está confiante ou preocupado quanto à segunda volta, o coordenador do BE respondeu que «o Bloco encara a segunda volta com toda a sua determinação" e não entrará no "campeonato do otimismo e do pessimismo».
«Agora, evidentemente, é uma responsabilidade histórica que está diante de nós, é a de defender a democracia contra um candidato que é contra a democracia», acrescentou.
Pureza prometeu que «o BE estará totalmente mobilizado para que justamente toda a gente, toda a gente do mundo da democracia vote em António José Seguro para derrotar a extrema-direita».
António José Seguro foi o candidato mais votado nas presidenciais de domingo, com 33% dos votos, seguido de André Ventura, com 23,5%, de acordo com resultados provisórios divulgados pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna. Catarina Martins ficou em sexto, com 2,06%.












