
O Laboratório que ajuda a envelhecer sem antidepressivos
Um laboratório é um lugar de trabalho silencioso e asséptico. O envelhecimento é um processo que exige prudência: os ossos debilitados pela osteoporose, as cataratas que mal permitem distinguir um neto do outro, o volume no máximo para ouvir o Telejornal, oito comprimidos por dia, a aventura de apertar os sapatos. Mas este não é um laboratório convencional e aqui envelhecer é uma jornada partilhada em que as arestas do envelhecimento - a doença, a perda de capacidades, a solidão, a ideia da morte sempre no limiar do pensamento - são suavizadas com música, teatro ou oficinas.
O Laboratório do Envelhecimento faz quatro anos esta semana. Quando entramos no edifício do Beco Ferreira Gordo, no centro de Ílhavo, vemos um grupo de mulheres a fazer trabalhos manuais a uma mesa, pessoas a cantar na sala ao lado. É a agitação própria de um sítio vivo. É um espaço claro da luz que entra pelas janelas e das cores alegres nas paredes, nas almofadas ou nas cadeiras: verdes, vermelhos, amarelos.
O gerontólogo Bruno Soares, com o seu nome escrito num crachá colorido preso ao peito, conduz-nos para a cozinha - no meio daquele alvoroço de atividades, é o sítio mais calmo do edifício. Ali, com o barulho filtrado, fala-nos dos vários projetos desenvolvidos no Laboratório do Envelhecimento. Um deles é o Maiores a Criar, envolvendo atualmente 64 mulheres dos 55 aos 90 anos em sessões dedicadas ao bordado e à costura. Este projeto, diz Bruno, ainda agora venceu o Prémio de Boas Práticas do Envelhecimento Ativo e Saudável da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, entre 161 candidaturas.
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