
Rural ou urbano, a prioridade é «respeitar a identidade» dos territórios
Sílvia Domingos, de 32 anos, recebe-nos no seu gabinete de presidente da Junta de Freguesia de Arões. A conversa dura uma hora e fica registada em algumas páginas de apontamentos. Sublinhamos uma das frases: «Não quero ser a última jovem da freguesia». É uma frase com peso.
Arões, em Vale de Cambra, é uma freguesia envelhecida. Os jovens estão a «fugir», avisa. Os empregos escasseiam, quase não há saneamento e água canalizada, a rede de telecomunicações tem falhas, os acessos são defeituosos. «Estamos muito mal servidos de infra-estruturas básicas», diz. O êxodo dos mais jovens não é por isso surpreendente.
Como é governar uma freguesia serrana desertificada, envelhecida, com poucos equipamentos públicos? Fizemos mais de 50 quilómetros para o saber. Como é, por outro lado, gerir uma união de freguesias que concentra, em simultâneo, territórios rurais e uma urbana e populosa sede de município? Cristina Tenreiro deu-nos algumas respostas.
Das 22 juntas de freguesias de Santa Maria da Feira, apenas quatro são governadas no feminino. «Costumo até criticar muito o meu partido porque acho que deviam motivar mais as mulheres a candidatarem-se», diz Cristina Tenreiro, eleita pelo PSD para a União de Freguesias de Santa Maria da Feira, Travanca, Sanfins e Espargo.
Tenreiro é a primeira mulher a liderar os destinos desta união de freguesias e foi a primeira a ocupar, entre 2023 e 2025, o cargo de presidente da Assembleia Municipal, mas admite que se por um lado está orgulhosa por «abrir portas», por outro sente tristeza. «Já estamos em 2025 e ainda sou a primeira mulher que aparece… É, mais uma vez, a constatação de que as mulheres ainda têm um longo caminho a percorrer».
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