
Com 93 anos, Maria José é a mordoma mais antiga
Não sabe quantas figuras de São Gonçalinho tem, mas garante que não são muitas. Quem entra em sua casa, no Cais dos Botirões, diria o contrário. Com 93 anos, Maria José é a mordoma mais velha das Festas do “Menino” e confessa que na sua família se vive mais esta celebração do que o próprio Natal. «Não sei explicar. É uma festa mais nossa, mais daqui», diz.
Em sua casa, onde também nasceram os avós e bisavós paternos, o almoço e o jantar de São Gonçalinho continuam a fazer-se como na sua infância. «Não há entradas, nem saídas [risos]. É a sopinha, um cozidinho e, à noite, temos o bacalhau cozido com batatas e couves».
Mas se dentro de casa as tradições não mudaram, na rua tudo é diferente. Uma mão cheia de coretos, concentrados no largo da capela e no Mercado do Peixe, foguetes, arruadas e os serviços religiosos quase esgotavam as festas de então, que foram crescendo ao longo dos anos. «A tradição daquele tempo eram só as cavacas e o pau do bacalhau», conta a mordoma, que assume esta responsabilidade desde os 15 anos, após a morte da mãe.
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