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Júlio passa o Natal sozinho. «Já estou habituado»

Homem de 74 anos é um dos rostos da solidão no concelho. Um grupo de voluntários dedicou a manhã de dia 24 a visitar os seniores que não têm companhia

«Já estou habituado», diz Júlio quando lhe pergunto como é passar o Natal sozinho. É «solteiro e bom rapaz», descreve-se, e não tem filhos. Morou com a mãe até ela morrer. Agora, aos 74 anos, vive sem companhia num dos becos do centro da cidade. Júlio é um dos rostos da solidão em Ílhavo.

Quando o grupo de voluntários toca à sua campainha, depois de percorrer o labirinto de ruazinhas do casco histórico da cidade, Júlio demora uns dois minutos a abrir a porta. Quando assoma, vestindo grossas roupas de Inverno, parece feliz por ver aquelas cinco pessoas na sua soleira.

Liliana, de 43 anos, Nuno, de 39, Afonso, de 15, e Leonor, de 12, são repetentes do projeto camarário “Por um Natal mais próximo”. Helena, de 59, faz a sua estreia. A iniciativa, desenvolvida através do projeto Maior Idade, destina-se a combater a solidão na população mais velha do município.

Com o auxílio de vizinhos, instituições sociais, paróquias, juntas de freguesia ou GNR foram sinalizados 30 seniores com 65 ou mais anos, 18 mulheres e 12 homens, que passam a noite de Natal sozinhos. A maior parte pertence à freguesia de São Salvador mas outros moram na Gafanha da Nazaré, na Gafanha da Encarnação, na Gafanha do Carmo e na Gafanha d’Aquém.

Entre funcionários e familiares, a Câmara mobilizou um total de 48 voluntários que na manhã de dia 24, divididos em equipas de quatro ou cinco pessoas, visitaram cada um daqueles velhos solitários. O projeto começou em 2020 com dois voluntários. Hoje são quase meia centena. Como o grupo é maior, o tempo dedicado a cada idoso esticou.

O ponto de encontro, às 9.30 horas, é no salão nobre do município. Várias pessoas envergam roupa natalícia. Um homem está até munido com uma viola. O objetivo, explica Rui Dias, o presidente da autarquia, é proporcionar «companhia, conforto e alegria aos que estão mais sós». «Gestos de ingratidão» ou «dificuldades da própria vida» fazem com que uma parte da população idosa tenha uma existência solitária, sem uma rede de apoio familiar. «A causa pública», diz o autarca, «é servir sobretudo os que mais precisam». Estes gestos, assume, têm mais significado «do que fazer obras emblemáticas».

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Dezembro 26, 2025 . 09:00

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