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Barco Moliceiro da Ria de Aveiro é Património Cultural da UNESCO

Era um anúncio esperado o que foi feito ontem - a aprovação da inscrição do “Barco Moliceiro: Arte da Carpintaria Naval da Região de Aveiro” na “Lista do Património Cultural Imaterial que necessita de Salvaguarda Urgente”

A proposta de inscrição do “Barco Moliceiro: Arte da Carpintaria Naval da Região de Aveiro” na “Lista do Património Cultural Imaterial que necessita de Salvaguarda Urgen­te” foi aprovada, ontem, durante a 20.ª sessão do Comité Intergovernamental da Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que se realiza até ao próximo sábado, em Nova Deli, na Índia.
Apresentada a candidatura junto da Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (UNESCO) pela Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), o presidente do Conselho Intermunicipal, Jorge Almeida, disse, naquela sessão, que esta inscrição «é um momento histórico para a Região de Aveiro e para Portugal, representa o reconhecimento internacional de uma prática cultural profundamente enraizada na nossa paisagem e no nosso quotidiano e é o resultado que reforça o compromisso de toda a região em garantir que este saber-fazer continua vivo e relevante para as gerações futuras».
Após constar no “Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial”, desde 2022, a inscrição na UNESCO constitui o «primeiro Património Cultural Imaterial da Humanidade na Região Centro», destaca a CIRA.
Envolvendo 11 municípios (Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Vagos, Oliveira do Bairro, Ovar, Sever do Vouga, Oliveira do Bairro, Murtosa e Anadia), o processo foi desenvolvido «em colaboração estreita com mestres construtores, pintores, municípios da região, entidades culturais, educativas e operadores turísticos ligados à ria, contando com o apoio técnico da empresa IPDT - Instituto Português de Desenvolvimento do Turismo».

Preservação e valorização
Para a CIRA, «preservação e valorização são as palavras-chave. Entretanto, está já aprovado o Plano de Salvaguarda, que irá, futuramente, operacionalizar face a esta nova e maior responsabilidade individual e coletiva, pública e privada». Algum trabalho já foi feito, como a restauração e abertura do “Estaleiro-Museu”, formação, materiais educativos para criança, debates sobre salvaguarda e publicação de um livro.
Luís Souto, presidente da Câmara de Aveiro e vice-presidente do Conselho Intermunicipal, afirmou, ontem, que esta inscrição na UNESCO é um «momento histórico para a Região de Aveiro e para Portugal. Hoje, celebramos Aveiro, todos os nossos mestres e um legado que queremos proteger para as novas gerações». O autarca acrescenta que «o reconhecimento da UNESCO reforça aquilo que sempre defendemos: o moliceiro é uma expressão singular da identidade da Ria de Aveiro, fruto do talento e dedicação de gerações de construtores e outros artistas que mantêm viva a arte da carpintaria naval da ria». São cinco os mestres construtores em funções e cerca de 50 embarcações a navegar.

Dezembro 10, 2025 . 08:00

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