
«Queremos transformar o crossódromo num centro de alto rendimento»
O ACTIB – Águeda Action Club assinalou dez anos de existência com planos ambiciosos para o futuro, incluindo a criação de uma secção de BTT e a transformação do crossódromo de Águeda numa estrutura ativa durante todo o ano. Em entrevista, o presidente da direção, Tiago Silva, explica como a associação cresceu, quais os desafios atuais e o impacto que o Mundial de Motocross tem na região.
Diversificação: trail, enduro e agora BTT
O ACTIB foi criado em novembro de 2015 com um objetivo definido. «A associação nasceu com um propósito principal: trazer de volta o Mundial de Motocross à Águeda», recorda Tiago Silva. A cidade, durante décadas conhecida como “capital do motocross em Portugal”, tinha perdido o evento em 2013 devido às dificuldades financeiras do Ginásio Clube de Águeda.
Sem Campeonato do Mundo em Portugal entre 2013 e 2017, um grupo de pessoas ligadas ao ginásio decidiu agir. «Eu era uma das pessoas que estava no Ginásio Clube de Águeda quando deixámos de fazer o Mundial. Em 2015, juntamente com outras pessoas, decidimos tentar trazer de novo o Mundial e criar uma associação para o tornar possível», explica.
Com o tempo, a associação desportiva começou a alargar horizontes. «Depois do Mundial, começámos a diversificar as atividades. A primeira foi o trail running, que estava muito na moda, e criámos uma equipa e alguns eventos para gerar receita e desfrutar do espaço que temos», aponta o presidente.
O próximo passo será a criação de uma nova secção de ciclismo. «Este ano vamos dar mais um passo e vamos criar uma secção de BTT. O nosso grupo está associado ao desporto aventura, e queremos alinhar-nos com a estratégia do município, que tem a bicicleta como uma das suas apostas». A associação pretende não só participar no novo troféu municipal de resistências em BTT, mas também organizar uma das etapas.
Manter o crossódromo «ativo todo o ano»
O crescimento da ACTIB originou até alterações internas. «Aprovámos na nossa assembleia a alteração dos estatutos para fazer crescer a direção, porque cada vez mais temos mais desafios», explica Tiago Silva.
Uma das prioridades é o aproveitamento contínuo do crossódromo. «Temos o crossódromo e queremos explorá-lo ao longo do ano: captar equipas internacionais para treinar, fazer parcerias com escolas de motocross, formar mais jovens e desenvolver a modalidade», destacou.
O presidente revela que o grande objetivo é ainda mais ambicioso. «A médio prazo, a ambição seria termos ali quase um centro de alto rendimento para o motocross, como existe no ciclismo em Sangalhos», afirmou. Chegar todos os anos ao Mundial é, nas palavras do presidente, um processo exigente. «O grande desafio é recolher os apoios financeiros. Fazer um evento destes envolve apoios públicos, caso contrário, seria impossível para uma associação como nós», revelou.
A logística é outro obstáculo. «É um evento com uma logística muito pesada. Envolve cerca de 400 voluntários, além de alugueres de estruturas, casas de banho, tendas, geradores… tudo isto é muito exigente. O fator tempo tem-nos cortado um bocadinho as pernas. É um evento ao ar livre e dependente do sucesso da bilheteira», afirmou.
A ACTIB quer ainda melhorar a experiência dos visitantes com novidades fora da pista: “fanzone”, DJ, atividades infantis, zonas de restauração reforçadas e espaços de campismo mais organizados. «Queremos que seja uma festa do desporto motorizado que vá além da corrida», acrescentou.
Impacto económico na freguesia
Quanto ao impacto económico na freguesia e na região, Tiago Silva não tem dúvidas. «Os estudos apontam para um retorno na ordem dos oito milhões de euros. A hotelaria fica totalmente lotada, desde Águeda até à Bairrada e Aveiro. A própria ACTIB é responsável por cerca de mil dormidas relacionadas com equipas, federações e promotores. Além disso, estima-se que 40 por cento do público seja estrangeiro, sobretudo francês», destacou, afirmando que a visibilidade é outro ponto de destaque. «O evento é televisionado para mais de 180 países, em direto, no Eurosport. Poucos eventos em Portugal têm esta projeção».
O futuro da associação passa também por um contributo mais profundo para a modalidade. «Queremos ter um papel relevante no desenvolvimento do motocross em Portugal, que atravessa uma fase menos boa. O nosso sonho é ajudar a formar atletas para que um dia possamos ter um piloto português no Mundial e, quem sabe, que seja de Águeda».
Tiago Silva compara a ambição ao impacto que Miguel Oliveira teve no MotoGP. «Se conseguirmos ter esta primeira referência, como já tivemos no passado, a modalidade poderá captar mais atletas e continuar a crescer», disse. |













