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Autarcas e especialistas debatem o futuro do “Mar das Oportunidades”

Iniciativa da CNN Portugal e da Prio, que se realizou ontem, no Cais Criativo da Costa Nova, elevou o debate sobre o património marítimo nacional, destacando o seu impacto no papel económico, ambiental e estratégico

A CNN Portugal, em parceria com a Prio, levou, ontem, ao palco do Cais Criativo da Costa Nova, em Ílhavo, a summit “Mar das Oportunidades”, uma conferência dedicada ao futuro do oceano português. O encontro reuniu representantes políticos, académicos e especialistas internacionais para analisar o papel económico, ambiental e estratégico do Atlântico para Portugal.

«Atlântico é a alma de uma nação»

Na abertura, o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Rui Dias, afirmou que «o Atlântico não é apenas uma fronteira, é a alma de uma nação». Recordou que Portugal dispõe de uma Zona Económica Exclusiva de cerca de 1,7 milhões de km², mais de 18 vezes a área do território continental, destacando que «o oceano define o nosso passado histórico, mas sobretudo deve desenhar o nosso futuro». O autarca sublinhou também que a economia azul já representa 5,1% do PIB nacional e 4,1% do emprego, defendendo que «Portugal só alcançará um patamar de excelência se apostar seriamente na economia azul». O autarca ilhavense concluiu a­pelando a que o concelho seja «um laboratório vivo da economia azul, onde ciência, empresas e comunidade se cruzem para gerar inovação».

Seguiu-se a intervenção do secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, que destacou o reconhecimento crescente de Portugal como «nação marítima de excelência». Referiu que o país integra «um grupo restrito de 19 países que representam 42% de toda a linha costeira do planeta», lembrando o trabalho já realizado na proteção e ordenamento do oceano. Salvador Malheiro afirmou que Portugal está «praticamente a atingir os 30% de áreas marinhas protegidas», elogiou a moratória à exploração de mar profundo aprovada até 2050 e enalteceu a liderança portuguesa no acordo internacional para a preservação do alto mar.

Um dos pontos centrais do discurso foi o potencial económico do carbono azul. O secretário de Estado destacou que o oceano português possui «capacidade de absorção e armazenamento de CO2, que pode atingir 10 milhões de toneladas», valor comparável às emissões anuais nacionais. Segundo o governante, «se tivermos uma aposta fortíssima no mar, poderemos atingir a neutralidade carbónica muito mais depressa». Salientou ainda que a economia do mar deve assentar na combinação entre ciência, investigação, pescas, biotecnologia azul, aquacultura, construção naval e energias renováveis.

Novembro 29, 2025 . 09:45

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