
O renascer de um coro que vive do espírito associativo
O associativismo vive de pessoas que se levantam quando é preciso, que não deixam cair aquilo que faz parte da identidade de uma comunidade. A história recente do Orfeão de Vagos é exatamente isso: um exemplo vivo de resiliência, compromisso e paixão pela cultura local.
Quando Manuela Morgado Miller, 68 anos, reformada, natural de Ílhavo, aceitou assumir a presidência do Orfeão de Vagos, fê-lo mais por sentido de missão do que por ambição. «Fui um pouco empurrada», admitiu ao Diário de Aveiro, lembrando o momento difícil que o grupo atravessava.
A situação financeira era insustentável e, em setembro de 2024, o histórico coro vaguense esteve mesmo em pausa. «As pessoas estavam cansadas e desmotivadas. Não havia ninguém que quisesse pegar no Orfeão», recorda. Mas havia uma condição para aceitar: todos tinham de lutar para reerguer o grupo. E lutaram.
Com o apoio da Câmara Municipal de Vagos, o Orfeão reorganizou-se, regressou aos ensaios em fevereiro e deu início a um novo capítulo. Hoje conta com cerca de 30 elementos, entre os 30 e os 75 anos, e as portas sempre abertas a novos coralistas: «Não temos número ideal. São todos bem-vindos», reforça Manuela. No CER, espaço cuja construção o próprio Orfeão ajudou a erguer, renasce agora a música coral que há 57 anos marca gerações.
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