
Obesidade é uma problemática discutida em Aveiro
O 29.º Congresso Nacional de Obesidade, promovido pela Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), abriu oficialmente ontem, no Hotel Meliá Ria, em Aveiro, reunindo perto de 540 participantes entre especialistas nacionais e internacionais, profissionais de saúde, investigadores e decisores políticos.
O encontro, que decorre até amanhã, centra-se no lema “Unir Conhecimento, Repensar Recursos”, sublinhando a necessidade de respostas multidisciplinares e sustentadas a um dos maiores desafios de saúde pública.
Na sessão de abertura, o Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Luís Souto, destacou a relevância do tema sublinhando que a obesidade é «um problema endócrino, neuroendócrino, fisiológico e mental», o autarca lembrou que os estilos de vida sedentários, associados ao uso intensivo de tecnologias e à desigualdade no acesso a práticas de exercício físico, reforçam a urgência de políticas abrangentes para a população.
Luís Souto lançou mesmo um desafio às sociedades científicas presentes: integrar mais profundamente as autarquias na definição de estratégias locais de combate à obesidade. «Queremos construir uma estratégia municipal para a saúde, e este é um tema que tem de fazer parte dessa agenda», afirmou, defendendo a promoção de estilos de vida saudáveis devem mobilizar educação e políticas sociais.
O Presidente da SPEO, José Silva Nunes, reforçou, por sua vez, o peso da obesidade em Portugal, recordando que a doença é reconhecida como crónica há 21 anos e continua a crescer. «Hoje sabemos que 28,7% dos adultos vivem com obesidade e mais de dois terços da população apresenta pré-obesidade ou obesidade», alertou. No caso das crianças dos 6 aos 8 anos, 31,9% têm excesso de peso e 13,5% obesidade, números que considerou «alarmantes». O dirigente destacou ainda os avanços recentes, como a criação do Programa Nacional de Prevenção e Gestão da Obesidade, contudo, apelou a que este tipo de medidas «cheguem a quem mais precisa, com eficácia e equidade».
A importância do exercício físico como instrumento terapêutico foi reforçada pela Presidente da Associação Portuguesa de Fisiologistas do Exercício (APFE), Cristina Caetano. Sublinhou que o exercício é «um pilar central» no tratamento da obesidade, mas alertou para a necessidade de garantir profissionais qualificados. «Ainda existem brechas legais que permitem a intervenção de pessoas sem a formação necessária, colocando em risco a segurança dos cidadãos», afirmou, defendendo a valorização científica da fisiologia do exercício e o seu papel terapêutico.
O Congresso prossegue hoje, último dia, com sessões científicas e apresentações sobre estigma, novas abordagens terapêuticas, impacto sistémico da doença e integração de cuidados. A SPEO destaca que o encontro pretende não só «atualizar conhecimento, mas também fortalecer redes de colaboração que permitam avançar no combate à obesidade em Portugal». |











