
Governo e indústria química vão debater a descarbonização até 2050
A APQuímica - Associação Portuguesa da Indústria Química, Petroquímica e de Refinação e os seus associados dinamizam hoje o evento “Competitividade & Descarbonização - o Futuro da Indústria Química Portuguesa”, que decorrerá no Centro de Negócios do EcoParque Empresarial de Estarreja e que vai contar com a presença do ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, que fará uma intervenção no painel final, pelas 17.45 horas. Na primeira parte do evento será feita a apresentação da conclusão da fase de conceção do “Roteiro de Neutralidade Carbónica para a Indústria Química Portuguesa 2050” (RNCIQ PT 2050). Lançado em 2024, o roteiro envolveu a colaboração de cerca de mil pessoas e entidades, provenientes da indústria química e de setores complementares, instituições académicas e organismos públicos. «O objetivo foi realizar um diagnóstico profundo sobre as condições, desafios e oportunidades para que a indústria química portuguesa alcance a neutralidade carbónica até 2050», refere a APQuímica, em comunicado.
Durante a sessão serão debatidos os principais desafios à implementação do roteiro, que define quatro cenários complementares de descarbonização e transição energética, com um investimento total estimado em 30 mil milhões de euros: eletrificação; hidrogénio verde e outros gases renováveis e de baixo teor de carbono; economia circular e biomassa; e a captura, utilização e armazenamento de carbono. «Estes cenários oferecem à indústria diferentes percursos possíveis rumo à neutralidade carbónica, permitindo-lhe, em simultâneo, sustentar a descarbonização de outros setores económicos no mesmo processo de transição». Para o presidente da APQuímica, Luís Gomes, a conclusão desta primeira fase do RNCIQ PT 2050 é um «marco fundamental» para a indústria química portuguesa. «Pela primeira vez, o setor uniu-se em torno de uma visão comum e de um plano estruturado para atingir a neutralidade carbónica, com base em evidência científica, diálogo alargado e um compromisso real com a inovação e a competitividade. Com o diagnóstico e planeamento concluídos reforçamos os esforços na fase seguinte: a da ação e da concretização».
A competitividade do setor também vai a debate
Na parte da tarde, o evento contará com a apresentação do “Estudo de Competitividade” da Indústria Petroquímica, Química e de Refinação (IPQR), o «único estudo do género em Portugal unicamente focado na competitividade desta indústria». Promovido pela APQuímica, o documento faz um «diagnóstico detalhado» sobre o posicionamento competitivo da IPQR nacional face à União Europeia (UE). Entre as suas principais conclusões, o estudo destaca a «necessidade de proteger e reforçar a competitividade do setor nacional», propondo que Portugal integre a Critical Chemicals Alliance e assegure que os “clusters” químicos de Sines, Estarreja e Lisboa/Setúbal sejam integrados no processo em curso de identificação dos “sites” críticos a preservar dentro da UE.
O estudo sublinha ainda que a garantia de «energia abundante, verde e a custo competitivo» é «condição essencial» para o futuro do setor e que que o enquadramento jurídico português para a indústria química é «menos favorável» que o de outros países europeus concorrentes, o que tem inviabilizado novos investimentos e ameaçado a permanência de “sites” estratégicos há décadas instalados em Portugal.












