
Mais de 190 novas camas vão ajudar a dar resposta em 2026
A reflexão sobre os desafios e avanços no acompanhamento de pessoas em situação paliativa marcou a 5.ª edição das Jornadas Dr. Egas Moniz, que decorreram ontem, no Cine-Teatro de Estarreja. O encontro reuniu profissionais de saúde, representantes institucionais e especialistas, no que se procura ser um passo na construção de estratégias para a melhoria dos cuidados continuados integrados.
Com o tema “Desafios e Avanços nas Unidades de Cuidados Continuados: Uma Abordagem Holística à Pessoa em Situação Paliativa”, as jornadas foram organizadas pela Equipa Multidisciplinar da Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Longa Duração Dr. Egas Moniz.
Na sessão de abertura, Maria Fátima Pereira, enfermeira da unidade, deu as boas-vindas e destacou a relevância da abordagem holística. «Tratar é mais do que cuidar dos sintomas. Envolve corpo, mente, espírito e contexto social. Precisamos de mais meios e respostas para garantir dignidade aos doentes e às suas famílias», comentou.
Também deixou um apelo ao reforço de apoios e à articulação entre as diferentes estruturas de saúde e sociais, sublinhando as «dificuldades em assegurar respostas atempadas para doentes que aguardam alta ou necessitam de suporte continuado», remarcou.
A presidente da Câmara Municipal de Estarreja, Isabel Pinto, sublinhou a importância do trabalho das equipas multidisciplinares. «Tratar ou cuidar é muito mais do que tratar. Os profissionais desta área trabalham com uma visão global, que inclui as dimensões biológica, psicológica, espiritual e ética. A autarquia continuará a apoiar estas iniciativas», destacou.
População exige respostas coordenadas
Fernando Mendonça, diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Aveiro, alertou para a complexidade crescente das situações, lembrando ainda que a rede de cuidados continuados é fundamental para responder ao aumento de doenças crónicas e à perda de autonomia associada ao envelhecimento da população. «Vivemos tempos desafiantes. As famílias têm hoje menos capacidade de cuidar dos seus idosos e as unidades acabam por receber casos sociais muito complexos. É essencial reforçar a solidariedade familiar e comunitária», apontou, sendo que também revelou, que a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados confirmou que 2026 será um ano de crescimento significativo na oferta de mais de 190 novas camas e serviços, fruto de candidaturas ao Plano de Recuperação e Resiliência.
Rosa Tomás, dirigente com ligação à rede de saúde, encerrou os discursos institucionais com uma nota de homenagem. «Estas unidades são hoje um bem essencial. É preciso talento, coragem e humanidade para cuidar de quem está numa fase tão delicada da vida. Parabéns a todos os profissionais que fazem a diferença todos os dias», concluiu.











