
Reclusos de Aveiro refletem sobre a saúde mental
No âmbito do Dia Mundial da Saúde Mental, o Estabelecimento Prisional de Aveiro (EPA) e a Associação Agora Aveiro inauguraram a exposição “Nas Entrelinhas - Enfrentar a Ansiedade”, no parlatório da instituição. A iniciativa pretende dar visibilidade ao impacto da ansiedade e promover um espaço de reflexão em contexto prisional.
A saúde mental da população reclusa é marcada por isolamento, rotinas rígidas e sentimentos de culpa ou desalento. A iniciativa estende-se também ao bem-estar dos profissionais que trabalham diariamente neste ambiente.
A exposição é resultado de uma recolha de testemunhos reais conduzida pela equipa da Agora Aveiro, com a colaboração da psicóloga Margarida Gonçalves, e traduz-se num vídeo e numa mostra fotográfica que abordam os desafios da ansiedade no quotidiano e partilham estratégias de superação. «Trazer esta exposição para dentro de um estabelecimento prisional é um gesto de reconhecimento e de respeito», sublinharam os organizadores. «A ansiedade não escolhe idade, contexto ou condição social. É um desafio transversal que merece ser falado, compreendido e tratado com humanidade», referem.
A iniciativa conta com a participação de cerca de 30 reclusos inscritos em cursos de educação e formação de adultos. Dando seguimento a esta iniciativa, durante os próximos dias, os participantes irão desenvolver trabalhos e momentos de reflexão sobre ansiedade e saúde mental em contexto prisional. «A ideia é que este seja um ponto de partida para conversas e aprendizagens mais profundas, integradas nos percursos formativos», explicou Cláudio Pedrosa.
O projeto “Nas Entrelinhas”, criado em 2022, nasceu de uma recolha de testemunho procurando normalizar estas experiências e incentivar o diálogo aberto sobre saúde mental. Para Hélder Berenguer, representante da Agora Aveiro, esta é também uma forma de «lembrar que as pessoas que estão privadas de liberdade continuam a ter direito a bem-
-estar e a oportunidades de reflexão e crescimento», revela, como também reflete que «estas pessoas estão cá dentro por várias razões, a cumprir as suas penas. Mas isso não as torna invisíveis nem as exclui dos mesmos direitos e necessidades emocionais que qualquer pessoa tem», sublinhou Hélder Berenguer.











