
A arte do treino e educação de cães com Nuno Santos
Hoje, no Dia Mundial do Animal, o Diário de Aveiro dá voz a quem, há mais de duas décadas, dedica a vida ao treino e à educação de cães. Nuno Santos, conhecido nas redes sociais por @nuno_santos_dogsport, já formou milhares dos conhecidos como os «melhores amigos do homem» e, também, os próprios donos, numa carreira marcada pela paixão acordada desde muito cedo, a disciplina e pela certeza de que a boa convivência entre humanos e cães depende, sobretudo, de conhecimento e respeito.
«Já treino cães há mais de 20 anos», conta-nos. O gosto nasceu cedo, ainda em criança, quando percebeu que comunicar com os cães era muito mais do que ensinar truques: era criar uma ligação. Mais tarde, formalizou esse interesse através de um curso profissional e nunca mais parou. Hoje, além de trabalhar com famílias e particulares, dedica-se também ao mundo da competição canina.
Para Nuno Santos, treinar um cão vai muito além de ensinar comandos. «Quando começas a treinar um cão, o dono aprende a linguagem canina, a comunicar, e começa a criar regras que tornam a convivência saudável», diz.
Uma visão para a legislação
A eterna questão sobre se um cão nasce agressivo ou se se torna assim pelo meio em que vive tem, para Nuno Santos, uma resposta clara: é preciso olhar para as duas dimensões. «Há cães que geneticamente têm tendência a ser mais dominantes. Mas a educação faz toda a diferença. Cada cão é um caso e deve ser avaliado individualmente», apontou.
O treinador lembra que raças muitas vezes estigmatizadas, não devem ser vistas como perigosas por natureza. «Não é justo discriminar raças. O que faz a diferença é o equilíbrio entre genética e treino. Se trabalharmos bem esses dois aspetos, o cão pode viver perfeitamente integrado na sociedade».
Com décadas de experiência, Nuno Santos tem também uma perspetiva sobre a legislação em vigor. «Sou contra as listas de raças potencialmente perigosas. O que defendo é a criação de um teste de estabilidade obrigatório para todos os cães. Esse exame avaliaria a sociabilidade do animal em situações do dia a dia. Se passasse, não havia problema. Se não passasse, aí sim, era sinal de que precisava da ajuda de um profissional». Para o treinador, este modelo seria mais justo e eficaz do que limitar o treino apenas a determinadas raças. «Há cães de raças portuguesas, como os pastores, que geneticamente nasceram para guardar gado. Colocá-los num ambiente urbano sem o devido acompanhamento é antinatural e pode criar problemas. É preciso perceber cada caso», reflete o Nuno Santos.
Treino adaptado e envolvimento dos donos
«O treino é muito pessoal. Cada cão é único e não há uma receita única. Prefiro adaptar cada processo às necessidades do animal e do dono», sublinha Nuno Santos, no entanto comenta que os problemas mais comuns que chegam até si vão desde cães que puxam demasiado a trela, passando por reatividade a outros cães e pessoas, até situações de medo ou agressividade. «Eu ajudo todo o tipo de pessoas com todo o tipo de problemas. O importante é que haja abertura para aprender e para criar essa relação saudável com o cão».
No final da entrevista, Nuno Santos refere que o treino canino não é apenas sobre o comportamento do animal, mas também sobre o envolvimento do dono. «Quanto mais tempo e dedicação investirmos no cão, mais forte será a ligação. O cão não é um robô. Ele tem a sua genética e a sua individualidade. Cabe-nos a nós compreendê-lo, respeitá-lo e educá-lo para viver connosco em harmonia».











