
«Deve haver uma fusão entre a Agência Regional de Promoção e a Entidade Centro de Portugal»
Diário de Aveiro: O Dia Mundial do Turismo é celebrado todos os anos a 27 de setembro com o propósito de reforçar a consciência do papel estratégico do turismo como motor de desenvolvimento económico. Como é que a Turismo do Centro contribui para esta evolução?
Rui Ventura: Contribuímos de uma forma ativa, até porque temos um papel fundamental no desenvolvimento do setor. Vemos o turismo como aquele que cria riqueza, cria emprego e faz aquilo, também, que é a coesão territorial de todo o Centro de Portugal e, portanto, também dentro da estrutura do próprio produto que temos e que disponibilizamos para que os turistas venham ao território. Por isso, no Dia Mundial do Turismo, envolvemo-nos com ele, porque somos parte dele, contribuímos naquilo que diz respeito à nossa parte de 33% do território nacional.
O “Turismo e a transformação sustentável” é o tema definido para 2025. O Centro de Portugal tem vindo a adaptar-se às boas práticas sustentáveis e de promoção de um turismo mais consciente e responsável. De que forma o tem vindo a fazer?
O Centro de Portugal é, de facto, um território que tem a ver muito com a sustentabilidade. E esta é a nossa aposta futura, até através de um processo de certificação que pretendemos para que o Centro de Portugal seja um destino de excelência sustentável. É uma aposta que está a ser feita, obviamente que tem que passar por um trabalho muito longo, um processo também de maturação, que tem a ver com o envolvimento das câmaras municipais, das comunidades intermunicipais, das próprias empresas, da consciencialização e, também, das pessoas no território, mas é uma aposta que queremos fazer. Só assim é que conseguimos tornar este destino mais atrativo, porque cada vez mais as pessoas procuram aquilo que é a autenticidade e a autenticidade também está ligada àquilo que é a sustentabilidade.
Tomou posse, a 15 de abril deste ano, como presidente da Comissão Executiva da Turismo Centro de Portugal, para um mandato que vai terminar em 2028. Que balanço faz deste período?
Faço um balanço positivo, naturalmente que fiz seis meses há pouco tempo, mas são seis meses de aprendizagem com muita gente que está nesta casa de uma forma proativa e com paixão pelo território. É uma equipa que já estava e já está a trabalhar muito no território e tem dado bons resultados. Portanto, no fundo, é a equipa a adaptar-se a mim e eu a adaptar-me à própria equipa e acho que estamos a consegui-lo. Obviamente que há grandes desafios que temos pela frente e precisamos de estar preparados para eles e, também, quem lidera tem sempre uma forma diferente de pensar, não é melhor nem pior, é diferente no que pensa para o território. Posso dar-lhe nota que a grande preocupação é aquilo que é o turismo de autenticidade, o turismo autêntico, é aquilo que as pessoas procuram, e eu sou muito ligado àquilo que são as tradições, as raízes das nossas gentes e àquilo que existe em cada uma das nossas aldeias. Eu diria mesmo que sou ligado aos rostos das pessoas, porque são elas que recebem quem nos visita.
Falou de vários desafios que se avizinham. A que tipo de desafios se refere?
Por exemplo, o caso da certificação é um deles, mas também não há maior desafio em Portugal do que ser presidente da Turismo do Centro de Portugal e ter a grande diversidade que existe no território. à
E esta diversidade, por um lado, é positiva, o que nos dá muito para trabalhar, mas, por outro lado, é muito difícil de comunicar todo um território, porque quem vai ao Centro de Portugal sente o Centro de Portugal e sente que há sempre muito mais para procurar, portanto existe aqui uma grande dificuldade também. Ou seja, é um desafio estar a gerir aquilo que é a promoção do Centro de Portugal.
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