
«Aumentar a oferta hoteleira é capital para conquistarmos novos públicos turistas»
Diário de Aveiro: De que forma a Câmara Municipal de Aveiro tem integrado o conceito de turismo sustentável na estratégia de promoção turística da cidade?
Ribau Esteves: A promoção turística que a Câmara Municipal de Aveiro concretizou nos últimos 12 anos assenta nos pilares da Cultura e do Ambiente, o que pressupõe uma integração íntima do conceito de turismo sustentável. Apostas como o Museu Marinha da Troncalhada, a qualificação dos canais urbanos da cidade de Aveiro, com a introdução dos motores elétricos, o novo “ferryboat” elétrico “Salicórnia”, a tipologia de programação do Festival dos Canais e do Festival Dunas de São Jacinto, são alguns dos muito exemplos dessa política municipal, que tem tido enorme sucesso também pelo notável crescimento dos fluxos turístico no município de Aveiro.
Que medidas têm sido implementadas para garantir o equilíbrio entre desenvolvimento turístico, preservação ambiental e valorização cultural no concelho?
A gestão equilibrada do cuidar dos valores ambientais e culturais, da sua valorização e utilização como elementos base da promoção turística, com a participação da importante operação de investimento na sua qualificação, incluindo a do espaço público por todo o município, são medidas expressivas disso. Ao mesmo tempo, nos eventos que a Câmara de Aveiro organiza e que marcam o calendário de todo o ano, está uma prática de envolvimento dos cidadãos que promove a boa utilização e cogestão desse equilíbrio.
Que papel atribui ao Ecomuseu Marinha da Troncalhada na valorização do património natural e histórico de Aveiro?
Muito importante pelo seu caráter extraordinário de ser uma marinha/salina em plena produção pelos métodos ancestrais, com um discurso expositivo facilmente percebido pelos visitantes, e pela sua localização excecional, no centro da cidade e da Ria de Aveiro.
Como é que o município envolve a comunidade local no desenvolvimento de práticas ligadas ao turismo sustentável?
São imensos os exemplos. Desde logo junto da comunidade educativa, com ações de sensibilização ambiental e com os serviços educativos dos museus e outros equipamentos de natureza cultural e ambiental. De forma universal, dirigida a todos, seja pelas obras que fazemos, pelos eventos que organizamos, por uma política de desenvolvimento transversal e, em todo o município, valorizando espaços naturais convidativos para o convívio entre as pessoas, como os parques ribeirinhos do Carregal e de Requeixo, o Parque Aventura em Esgueira, os passadiços entre Mataduços e Vilarinho, entre muitos outros.
Que impacto considera que a aposta no turismo sustentável tem tido na projeção nacional e internacional de Aveiro?
Muito positiva, com os números dos vários indicadores a expressarem isso de forma muito forte e com recordes batidos ano após ano.
Quais são os principais desafios que a autarquia enfrenta atualmente para compatibilizar a atratividade turística com a preservação ambiental e patrimonial?
Temos conseguido esse equilíbrio com o contributo de todos. Temos potencial para continuar a crescer com uma gestão cuidada desse equilíbrio, que julgo basicamente acessível à Câmara de Aveiro, desde que se mantenha atenta e zeladora pela boa gestão das muitas parcerias institucionais que o garantem. O crescimento da chamada hotelaria tradicional é o principal desafio, esperando que os três hotéis previstos para a frente urbana poente/norte sejam concretizados: Cais do Paraíso, Foz de Prata e Vitasal.
Que iniciativas especiais estão a ser preparadas pela câmara para assinalar o Dia Mundial do Turismo?
Não é nossa prática fazer ações próprias para assinalar o Dia Mundial do Turismo, deixando esse papel, muitas vezes, com o nosso apoio, à Turismo Centro de Portugal, que tem sido um parceiro muito importante da Câmara de Aveiro.
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