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Escola sem telemóveis: «Os alunos ganharam vida»

O Ministério da Educação, Ciência e Inovação anunciou novas regras e recomendações sobre o uso de “smartphones” nos espaços escolares, que entrarão em vigor já em setembro de 2025. Mas há estabelecimentos de ensino, como a Escola Básica e Secundária Ferreira da Silva, em Oliveira de Azeméis, que já se anteciparam ao Governo

Esta escola oliveirense, que em 2024 foi o estabelecimento de ensino público com melhor média nos exames nacionais, implementou, em janeiro, a proi­bição do uso de telemóveis em todo o recinto. Segundo o diretor, o uso dos telemóveis já era proibido na sala de aula, quando não solicitado por um professor para efeitos de trabalho letivo, mas, desde 6 de janeiro, a medida passou a aplicar-se também aos momentos de pausa.
«Nos últimos anos», disse António Almeida Figueiredo à Lu­sa, «íamos sentindo que os alunos se alheavam muito nos intervalos, sempre agarrados aos telemóveis, e que não havia interação. Passávamos nos corredores e havia silêncio, porque, embora cheios de alunos, eles estavam todos ao telemóvel».
A nova estratégia começou por gerar contestação entre os jovens, mas o diretor afirma que, após «um ou dois dias de “desmame”» no período inicial, os alunos adaptaram-se com facilidade às novas regras, até porque a escola aumentou a sua oferta de alternativas lúdicas, colocando à disposição dos estudantes jogos didáticos e de tabuleiro, baralhos de cartas e duas mesas de pingue-pongue.
Mesmo que a proibição não venha a ter efeitos ao nível estrito das notas académicas, nos intervalos, o objetivo já se concretizou. «Há muito barulho, muita ação. Os alunos ganharam vida», afirmou.
Elisabete Barnabé, presidente da Associação de Pais da Escola Ferreira da Silva, assume que alguns encarregados de educação se opuseram à mudança, mas garante que a maioria acatou bem o que, na generalidade, consideraram «uma medida corajosa».
Maria Antunes e Miguel Cos­ta, alunos do 12.º ano no passado ano letivo, fazem um balanço positivo da medida. Ela, do curso de Ciências e Tecnologias, defende que a mudança levou os seus colegas a «conviverem muito mais» e criou na escola «um ambiente melhor». Ele, de Ciências Socioeconómicas, admite que, apesar do seu próprio «choque» quando a mudança foi anunciada, acabou por aceitá-la «pouco a pou­co». «Antes havia aque­le impulso de pegar no telefone e ver uma coisa rá­pida, numa aula ou num corredor, ou fazer uma chamada. Agora vou lanchar ao bufete, falo com os meus amigos, convivemos um bocado, às vezes jogámos às cartas». As pessoas começaram a conhecer-se mais cara a cara, não por telemóvel», resume.

O desafio da socialização
Segundo o Ministério da Edu­cação, Ciência e Inovação, um dos objetivos centrais da medida é promover a convivência sem e­crãs. Durante os intervalos e períodos de almo­ço, a tutela recomenda que as escolas incentivem atividades de gru­po, desde jogos tradicionais a espaços de lazer organizados, envolvendo inclusive associações de pais ou parceiros locais. Com estas orientações, o Governo «procura equilibrar a formação digital dos jovens com a necessidade de combater u­sos prejudiciais dos “smartphones”».
O novo ano letivo será «um teste decisivo à forma co­mo escolas, professores, alunos e famílias conseguem, em conjunto, definir um caminho mais saudável no relacionamento com a tecnologia».
As escolas terão autonomia pa­ra adaptar estas regras à sua realidade. Esta flexibilidade, assume o ministério, é crucial pa­ra que as medidas sejam eficazes e adequadas ao contexto de cada comunidade educativa.

Setembro 11, 2025 . 11:00

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