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«Viemos para fazer aquilo que ainda não foi feito»

Sem deixar de elogiar o trabalho dos últimos mandatos, Luís Souto promete «novos tempos» na gestão da Câmara de Aveiro

Luís Souto Miranda, candidato da Ali­ança com Aveiro (PSD/ CDS/PPM) à Câmara de Aveiro, assu­me-se como mais do que o candidato da continuidade. Afir­ma a sua «solidariedade política» com a atual governação de Ribau Esteves, mas quer fazer diferente em várias áreas. Elogia o ímpeto obreiro do atual líder da autarquia, mas diz que é tem­po de abrir um novo ciclo de po­líticas municipais. «Não temos de estar sempre a fazer obra por fazer», diz o atual presidente da assembleia municipal.

Diário de Aveiro: Quer explicar como se processou a sua escolha como cabeça de lis­ta à Câmara de Aveiro?
Luís Souto Miranda: É preciso recordar que eu anunciei mais de um ano antes das eleições a minha disponibilidade, ou pelo menos não me pus de fora, e portanto ficou claro que poderia ser uma das opções. Perguntaram-me se me sentia preparado e se teria ideias para o futuro da Avei­ro, e é claro que um presidente da assembleia municipal, que ainda por cima está há oito anos no cargo, está numa posição de conhecimen­to permanente e privilegiado e coloca-o como uma das opções naturais. Eu tenho 61 anos, não sou jovem, mas também ainda não sou velho. Poderia colocar-se a questão se o presidente da assembleia municipal fosse, e muitas vezes é, uma figura veneranda e já com uma idade considerável. Não sendo esse o caso, acho que tenho as condições.

Mas apontam-lhe falta de experiência executiva…
O presidente Ribau Esteves quan­do começou não tinha experiência nenhuma, era um jovem com vinte e poucos anos e os ilhavenses acreditaram ne­le. A experiência vai-se ganhan­do. E depois há outra coisa: há candidatos que têm experiência, mas uma má experiência. Eu não tenho experiência, mas tenho conhecimento e proximidade dos dossiês. Luís Montenegro, que está a fazer um excelente mandato, não tinha nenhuma experiência executiva e no entanto é o primeiro-ministro de Portugal. Acho que isso não é argumento. É importante alguém com conhecimento e proximidade às grandes questões que atravessam Aveiro.

Em todo caso, a sua escolha provocou uma polémica in­ter­na no PSD. Isso enfraque­ce a candidatura?
Houve polémica, não vamos dizer que não houve. Mas a verdade é esta: nós decidimos e fechámos o processo da escolha autárquica há muitos meses, quando houve municípios importantíssimos que só resolveram o seu candidato há coisa de um mês. Houve um momento de discussão, que é normal. No fim do ciclo do presidente Ribau Esteves é evidente que haveria várias possibilidades. Houve essa discussão e nem podia ser de outra manei­ra. Não consigo imaginar um cenário em que, após a saída de um líder com as características do presidente Ribau, que ganhou sucessivas maiorias absolutas, não houvesse discussão, e até acesa, sobre quem lhe iria suceder. Claro que houve essa controvérsia, mas iria haver com qualquer candidato.

Ribau Esteves anunciou que não participará na campanha. O que sente em relação a isso?
Anunciou? Não sei se anunciou.

Conta com ele na campanha?
Estamos em colaboração quase diária. É um sinal muito importante, e haverá outros certamente até à data das eleições. Não sei se ele anunciou mesmo que não estará de maneira nenhuma na campanha. Eu acho que de alguma forma ele estará.

Sente o apoio dele?
Sinto. Não consigo imaginar o presidente Ribau apoiar o candidato do PS. Não faz qualquer sentido. Ele nem vota cá em Aveiro, mas declarou recentemente que se fosse eleitor em Aveiro votava na nossa candidatura. Isto foi claro e cristalino. O problema é que muitas vezes a comunicação social não faz eco dessas afirmações.

O seu projeto autárquico é para quantos mandatos?
Estamo-nos a candidatar para este primeiro mandato, mas há projetos e ambições que dificilmente se conseguem fechar em quatro anos. E por isso é que eu tenho alertado muito para esta vontade do PS de suspender tudo e para os custos que isso vai ter para os aveirenses. Ainda agora tivemos o exemplo do hospital, em que o candidato do PS veio dizer que devíamos repensar a solução para o hospital… Isso implica um adia­men­to enorme. Nós queremos concretizar o programa nos quatro anos, mas temos consciência das dificuldades. Não tem comparação nenhuma governar uma câmara hoje com o tempo em que o candidato do PS esteve na câmara. A contratação pública é extrema­men­te complexa, os índices de reclamações são muito elevados, a dificuldade em conseguir propostas dos empreiteiros e mão de obra para fazer as obras, a componente ambiental… Portanto, a nossa perspetiva é que não há tempo a perder, mas é evidente que há projetos que vão implicar continuar após os quatro anos do mandato.

É justo dizer que o senhor é o candidato da continuidade?
Nós assumimos a continuidade, mas também acrescentamos a inovação. As pessoas vão sentir essa inovação. Mas há uma garantia: nós não estamos apostados em desfazer aquilo que estava feito. Como diz a canção, nós viemos para fazer aquilo que ainda não foi feito.

Mas há quem o acuse de aceitação acrítica de tudo o que é decidido pelo atual executivo…
Eu faço parte de um projeto político e sou solidário com esse projeto político. Se não fosse, tinha-me declarado como independente. Eu não sou independente. Não acho nada correto haver candidatos que foram apoiados por uma maioria política que, em contradição com essa maioria política, apresentam-se como candidatos de outro partido. Acho isso inaceitável e isso está a acontecer com um candidato do PS. Em exercício, que é o pior. Eu gosto de cumprir compromissos. Fiz um compromisso com o eng.º Ribau Esteves e com a Aliança com Aveiro e, portanto, estou a cumprir o meu mandato. O sistema político democrático tem de ter mecanismos de solidariedade política, senão não se consegue governar. Nós temos momentos de discussão interna. Ao longo dos anos nem sempre as minhas opiniões foram coincidentes com as do presidente. Mas quando uma decisão é tomada depois é para avançar. Somos um bloco político coeso e é assim que temos de continuar a ser.

 

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Setembro 4, 2025 . 08:30

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