
“Suplicantes”, “O Salvado” e “Crocodile Club” marcam programação no Teatro Aveirense
O Teatro Aveirense divulgou a sua programação para setembro, mês que marca a “rentrée” cultural e que se apresenta recheado de estreias e regressos de nomes de referência do panorama artístico nacional. Entre teatro, dança e música, o público aveirense será convidado a assistir a criações inéditas, trabalhos de grande relevância no circuito cultural e projetos que cruzam diferentes linguagens artísticas.
Crítica à atualidade social
O arranque acontece dia 6, com a apresentação de “Crocodile Club”, de Mickaël de Oliveira. Com Inês Castelo Branco e Bárbara Branco no elenco, a peça tem vindo a conquistar o público e a crítica, em digressão nacional, propondo uma reflexão incisiva sobre os novos populismos, a insatisfação social e os limites da democracia. O enredo parte de um retiro de fim de semana entre amigos para pôr em evidência as tensões que atravessa o atual espectro político português.
No dia 11, é a vez de Gisela Ferreira apresentar “nome de solteira”, um espetáculo que se centra nas desigualdades de género e no trabalho não pago, questionando o ideal da mulher perfeita que assume todos os papéis sem falhar em nenhum. A peça foi distinguida com a bolsa Palcos Instáveis 2ª Casa – Especial e tem estreia absoluta em Aveiro.
Seguem-se dois dias dedicados à criação emergente: a 13 e 14, o Laboratório de Dramaturgia 2025 dá a conhecer os resultados de meses de trabalho, envolvendo formação com figuras de referência internacional como Apichatpong Weerasethakul e Tim Etchells, além de criadores portugueses como Teresa Coutinho e o próprio Mickaël de Oliveira. Sob o título “Os lugares não são para depois” (aquilo que antes lá ficou), serão apresentadas 13 obras breves, num percurso que convida o público a descobrir diferentes espaços do Teatro Aveirense através da escrita dramática.
Retornos aclamados pelo público
Dia 17, o palco recebe uma das mais aguardadas estreias do mês: “O Salvado”, novo solo de Olga Roriz, o primeiro desde “A Sagração da Primavera”, apresentado há 12 anos. Fruto de um processo de criação prolongado e de seis residências artísticas – uma delas em Aveiro –, o espetáculo interroga o que ainda se pode preservar após a passagem do tempo e da catástrofe, num exercício profundamente pessoal que reflete sobre sete décadas de existência.
Na vertente musical, o destaque vai para o concerto de Susie Filipe, no dia 20. A atriz e baterista aveirense, conhecida pela sua participação em projetos como Moonshiners, Siricaia, Estro/Watts e Sangue Suor, apresenta-se pela primeira vez como cantora e compositora. O espetáculo marca o lançamento do seu primeiro álbum a solo, “Em Tempo Real”, e promete um cruzamento entre música, poesia e teatro, com recurso a guitarra, piano e bateria.
No dia 21, o foco volta-se para as famílias com “Quero Um Piano”, criação conjunta de Ana Madureira e Vahan Kerovpyan. O espetáculo propõe um encontro intercultural e intergeracional, onde micro-tons orientais e meios-tons ocidentais se misturam com palavras, poesia e humor, numa experiência pensada para todos os públicos.
O mês encerra em tom de grande estreia, com “Suplicantes”, de Sara Barros Leitão, em cena nos dias 27 e 28. Coproduzida pelo Teatro Aveirense, a peça revisita o clássico de Ésquilo para projetar sobre ele os dilemas contemporâneos em torno da migração, das fronteiras, da hospitalidade e da integração. O espetáculo promete ser um dos pontos altos da temporada, pela forma como articula tradição e atualidade, propondo um olhar crítico sobre a Europa de hoje.












