
Alunos desesperam por encontrar quartos em conta
Foram precisos perto de 20 contactos, entre mensagens e telefonemas, para Rita Leonardo, uma estudante açoriana colocada em Línguas e Estudos Editoriais, conseguir alojamento em Aveiro. «As colocações saíram no dia 23 e comecei à procura logo desde esse dia», conta ao Diário de Aveiro. O primeiro passo foi contactar uma amiga que estuda na Universidade de Aveiro (UA) desde o ano passado. Não tendo conseguido solução por essa via, virou-se para os anúncios nas redes sociais. «Fiz o que todos fazem, que é procurar no Facebook», diz.
O Facebook é um manancial imenso de publicações com ofertas de alojamento para estudantes – há até quem anuncie caravanas. Rita, uma jovem de 19 anos da Ilha Terceira, tentou a sorte junto de quase 20 pessoas. Desses 20 contactos, obteve perto de dez respostas, com preços variando entre 350 e 370 euros por quarto.
Interessou-se por um quarto individual num apartamento no bairro de Santiago. Viu as fotos que acompanhavam o anúncio e pediu à dona para deixar uma amiga visitar a casa. Em vez disso, a mulher enviou-lhe um vídeo do apartamento. Só depois é que Rita chegou a acordo com a proprietária, na segunda-feira.
Por essa acomodação, a estudante pagará 350 euros mensais, com despesas à parte (água, luz, gás e internet) a dividir pelos cinco moradores do apartamento. «É mais ou menos o que estava à espera, até achei que ia pagar mais», conta. Rita, que voará para o continente em setembro, tem noção que se trata de «um esforço financeiro muito grande» para a família. «Ainda por cima a minha irmã também vai para a universidade», no seu caso para o Porto.
Esta é uma época do ano em que estudantes e famílias vivem a ansiedade da procura por alojamento. Shubhra Bhargava, uma indiana de 33 anos, é uma dessas alunas. Quando o Diário de Aveiro a contactou, já deixava transparecer algum desespero. «Estou à procura há cerca de um mês mas ainda não consegui», comenta. «Ou são muito caros ou já não estão disponíveis ou então a distância para a universidade é muito grande».
A estudante procura acomodação por um semestre, com chegada a 5 de setembro. Assume, por isso, que encontrar sítio onde ficar é «uma urgência». Tem procurado por quartos e apartamentos, com valores que vão dos 400 aos 1.200 euros.
Esta aluna Erasmus tem estabelecido contactos com algumas pessoas em Aveiro e dado atenção a grupos de Facebook ou a portais imobiliários como o Idealista. Uma das preocupações são os esquemas fraudulentos. «Os golpistas estão em todo o lado», avisa.
Shubhra estuda Sistemas de Turismo Sustentável na Universidade de Florença, em Itália, e vem por seis meses estudar Gestão e Planeamento em Turismo na UA. «Os alunos escolhem as cidades pela sua acessibilidade. No meu caso foi igual. Pensei que o arrendamento fosse muito mais em conta», diz. «Da minha experiência», acrescenta, «quem vai estudar para países como a Alemanha e outros consegue quartos com todas as comodidades incluídas por 300 euros».
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