
Feira de Artes e Ofícios anima a Praça do Rossio até domingo
A Feira de Artes e Ofícios de Aveiro, conhecida como Artesanato ao Vivo, regressou à Praça do Rossio e está a decorrer até ao dia 17. Organizada pela Câmara Municipal de Aveiro e pela Associação de Artesãos da Região de Aveiro – A Barrica, o evento reúne 42 artesãos de Aveiro e concelhos limítrofes, apresentando ao público uma mostra de artesanato ao vivo. A entrada é gratuita e o horário de funcionamento vai das 9 às 19 horas.
Calor dificulta adesão
O presidente da Associação A Barrica, Evaristo Silva, destaca que a feira já se realiza há mais de 15 anos, mas reconhece que esta edição tem sido marcada por um calor recorde. «Nunca tivemos tanto calor como este ano. Mesmo com os metros de lona que colocámos para criar sombra, não conseguimos evitar que o sol bata diretamente em muitos stands», explica o artesão, recordando que, noutros tempos, a feira beneficiava da sombra das árvores do Rossio, mas a requalificação da praça transformou-a num espaço mais exposto. «O que é bom para uns, para outros não é. Com sombra era mais agradável para todos. Agora, quando o sol está forte, é difícil para artesãos e visitantes ali permanecerem. Com este calor, as pessoas vão para a praia. Até lá está difícil estar, imagine-se no Rossio. Mas não controlamos o tempo, faz parte do risco que todos assumimos», lamenta. Os produtos mais comuns variam entre panos regionais, cerâmica tradicional e peças de inspiração local, como barcos moliceiros e cestas.
Sal de Aveiro sinónimo de beleza
Entre os participantes está a Beleza do Sal, marca familiar criada em 2013 e especializada em cosmética artesanal com sal das marinhas de Aveiro. Daniela Marques, que gere o projeto juntamente com o marido e o sogro, explica: «fazemos sabonetes de sal, champôs sólidos, cremes, esfoliantes e sais de banho, sempre com sal local. A ideia nasceu com o meu sogro, que, já reformado, quis criar produtos aproveitando o que temos de melhor na nossa terra».
A presença na feira vai além da simples venda. A empresa organiza também workshops, que têm atraído curiosos e turistas. «A adesão tem sido muito boa. Muitos estrangeiros querem ver como se faz um sabonete de sal, conhecer o processo e até experimentar. É uma forma de divulgar a tradição de forma interativa», conta Daniela Marques. Olhando para o futuro, a representante da Beleza do Sal pretende manter a aposta em parcerias locais e expandir a rede de revenda. «Queremos continuar a vender para lojas de Aveiro, estéticas, hotéis e novos clientes. Sempre mantendo a autenticidade dos nossos produtos».
Apesar das queixas sobre o calor e da quebra nas vendas, em comparação com anos anteriores, Evaristo Silva garante que o espírito da feira se mantém vivo. «Sou artesão há 45 anos e custa-me ver colegas que vendem apenas o suficiente para pagar o stand. Mas não desistimos. Esta feira é parte da identidade de Aveiro, e vamos continuar a defendê-la», declarou ao Diário de Aveiro.











