
Paulo não deixa o arroz morrer em Frossos
Enquanto esperamos por Paulo Nunes observamos os choupos, plátanos e carvalhos do Parque da Boca do Carreiro e o movimento de alguns tratores que circulam a caminho dos campos agrícolas de Frossos. A meio de um desses terrenos, confinante com o parque, está cravado um pau com uns dois metros de altura em cuja extremidade está fixado um cata-vento que, acionado pelas correntes de ar, produz um som metálico capaz de afugentar os pássaros vorazes que se alimentam das culturas ali semeadas.
No final de junho, o Centro de Interpretação da Pateira de Frossos anunciara a realização de uma sementeira de arroz na freguesia, descrevendo-a como uma «atividade simbólica» que marcou o «renascer de uma tradição agrícola com grande importância histórica para a região». Durante décadas, a orizicultura teve um papel central na vida e na economia locais, moldando a paisagem da pateira. A atividade foi perdendo relevância com o tempo a ponto de se extinguir. Se foi entretanto ressuscitada e hoje subsiste, mesmo que a uma escala minúscula, isso deve-se a Paulo Nunes.
A nosso pedido, o Centro de Interpretação faculta-nos o seu contacto. Combinamos encontrar-nos no Parque da Boca do Carreiro, onde chega acompanhado pelo filho Rodrigo, de 16 anos, e logo nos explica a sua relação com o arroz. «O meu pai foi dos últimos produtores», diz este homem de 42 anos. «Sou da geração que viu o arroz acabar em Frossos».
Paulo tem uma formação e uma profissão que nem remotamente estão ligadas à produção de arroz. «Sou engenheiro eletromecânico e tenho uma oficina de reparação automóvel», diz. Mas este homem «nascido, criado e casado em Frossos» assume-se como «uma pessoa inconformada» empenhada em lutar contra o desaparecimento da orizicultura na freguesia. A primeira experiência aconteceu há dez anos. Desde então que semeia arroz ano sim ano não. «Tenho vontade, garra e entusiasmo», assume. «É assim que a gente faz vida».
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